domingo, 10 de agosto de 2014

Nova molécula contra um câncer cerebral

Fonte: veja.abril.com.br
Em julho, eu escrevi sobre uma pesquisa que utilizou vírus modificados contra um tipo de câncer, chamado glioblastoma. Hoje, eu volto a falar desse câncer, devido a sua importância. Como disse antes, o glioblastoma é extremamente agressivo e os tratamentos disponíveis hoje são pouco eficazes. Assim, a sobrevivência dos pacientes gira em torno de 14 meses após o diagnóstico. Por isso, muitos grupos buscam novas formas de tratamento para o glioblastoma. Agora, cientistas chineses descreveram a ação de um composto que é uma nova esperança contra esse câncer. Os resultados foram publicados na revista CNS Neuroscience & Therapeutics.

A molécula, chamada NSC141562 (mas apelidada de BASI), já era conhecida, porém seu efeito sobre o glioblastoma ainda não tinha sido testado. Os pesquisadores viram que o composto reduziu as propriedades cancerígenas das células de glioblastoma em cultura, reduzindo a divisão das células e a sua capacidade de invadir outros tecidos e induzindo a morte celular. Os cientistas também testaram a molécula em camundongos onde o câncer foi induzido. Os animais que foram tratados não perderam peso em decorrência da doença, viveram mais tempo e o tumor cresceu mais devagar.

Mas os chineses foram além e investigaram qual é o método de ação do novo composto. (Malditos asiáticos! Mal posso ver seus movimentos!) Eles descobriram que a molécula diminui a atividade de uma proteína importante para o tumor, chamada de β-catenina. Essa proteína participa de uma das chamadas vias de sinalização, que são as formas como a célula sente os sinais do ambiente onde está e responde a eles de forma apropriada. A β-catenina, especificamente, aumenta a atividade de certos genes e faz como que a célula aumente a sua proliferação. Assim, quando ela está desregulada, as células se dividem mais do que devem (câncer!). Então, o composto impede o funcionamento de β-catenina e reduz o crescimento do tumor.

Como?, se perguntaram os chineses. Eles foram atrás das respostas e descobriram que a molécula altera a quantidade de alguns tipos de RNA (chamados micro RNAs) no interior da célula. Esses micro RNAs são importantes para regular a atividade de muitos genes e, nesse caso, da β-catenina. Mas o interessante é que os pesquisadores descobriram um novo micro RNA, chamado de miR-181d, que é essencial para o tumor. Ele bloqueia a atividade da β-catenina e se sua atividade é aumenta em células do glioblastoma em cultura, ele sozinho reduz a proliferação das células e sua capacidade de invasão, além de causar a morte das células. Mais ainda, esse micro RNAs também reduz o crescimento do tumor em camundongos. Dessa forma, o miR-181d é um novo alvo para ajudar no combate ao glioblastoma.

O BASI ainda não foi testado em humanos, mas nesse primeiro teste pré-clínico não foram observados efeito colaterais nos animais. Muitos outros testes são necessários, mas o fármaco é promissor. Podemos esperar novidades nas farmácias para o tratamento do glioblastoma, talvez em cinco ou 10 anos.

Referência

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