sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Não, a fosfoamina não é (ainda) a cura do câncer


Em agosto desse ano, uma reportagem do portal G1 mostrou a luta de pacientes com câncer na justiça para receber cápsulas contendo o composto fosfoamina (na verdade, fosfoetanolamina) que supostamente curaria a doença. O “remédio” era produzido e distribuído pelo campus da Universidade de São Paulo na cidade de São Carlos, mas a distribuição foi suspensa por decisão da própria reitoria, já que o composto não é registrado na ANVISA (todo remédio comercializado no país deve ser registrado) e não teve eficiência comprovada. Porém, alguns dos pacientes tratados com a fosfoamina relatam que foram curados e trazem exames e outras coisas para provar. Segundo o professor aposentado Gilberto O. Chierice (que participou dos estudos com a substância), “A fosfoamina está aí, à disposição, para quem quiser curar câncer”. Mas, vamos devagar, professor Gilberto; se a fosfoamina realmente é a cura para o câncer, por que não foi pedido o registro na ANVISA? O Governo Federal poderia produzir grande quantidade da substância (que é barata) na indústria farmacêutica pública, como em Farmanguinhos, no Rio de Janeiro, e economizar muito dinheiro do SUS que é gasto em quimioterapia. Se tempos de corte de orçamento seria uma economia muito bem-vinda, por que não se faz? E a pergunta primordial: a fosfoamina realmente cura o câncer?

Eu já escrevi isso aqui, mas não custa repetir: um remédio “funcionar” em meia dúzia de pessoas não significa que ele realmente funciona. Acreditar que um remédio funciona com base em relatos não científicos de pessoas que se dizem curadas é muito temerário por alguns motivos. Primeiro, nesses casos, não existe um grupo de controle. Quando um remédio é testado de verdade, metade dos pacientes toma o remédio enquanto a outra metade toma uma “pílula de farinha”, sem nenhum princípio ativo. Para o remédio ser considerado eficaz, ele precisar curar significativamente mais pessoas que a pílula de farinha. Sim, porque a pílula de farinha pode “curar” pessoas, o que é chamado de efeito placebo. Na verdade, as pessoas podem acabar se curando de uma doença sozinhas, sem ajuda de remédios, pela própria resistência natural do corpo. O grupo de pessoas que toma a pílula falsa é importante então para descontar esse efeito. Além disso, no caso da fosfoamina, é possível que várias pessoas estivessem fazendo quimioterapia ao mesmo tempo. Isso torna impossível saber se as pessoas se curaram via fosfoamina ou via quimioterapia (ou um somatório das duas coisas). Por último, as pessoas que não se curam com um dado remédio nessas condições dificilmente fazem um relato no Facebook ou em qualquer outro lugar dizendo que com elas não funcionou (no caso de uma doença terminal como câncer, isso é até mais evidente, porque, infelizmente, os pacientes morrem). Então temos uma resposta viciada: parece que o remédio é muito bom e funciona em todo mundo porque só vemos relatos positivos das pessoas nas redes sociais, mas isso acontece simplesmente porque as pessoas nas quais o remédio não funcionou não deixam relatos.

Dito isso, vamos à história da fosfamina. Todas as notícias vinculadas na imprensa contam com declarações do professor Chierice. Busquei seu currículo na base Lattes do CNPq (Conselho Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento, órgão do Governo Federal, vinculado ao Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação). Ele é químico, com doutorado em química analítica pela USP e tem um extenso currículo, com mais 80 artigos científicos publicados, a grande maioria em estudos de extração e atividade de óleos essenciais retirados de plantas. OK, e a fosfamina? Ela só aparece no currículo do professor a partir de 2011, em seis trabalhos publicados. O problema é que em todos esses artigos o autor correspondente, que normalmente é considerado o pesquisador líder do grupo e principal responsável pela pesquisa, é o Professor Durvanei A. Maria, do Instituto Butantã, e não o Professor Chierice. O currículo do Professor Maria também é invejável; doutor em imunologia pela USP, ele tem mais de cem artigos científicos publicados, principalmente em estudos com câncer.

Então, temos a seguinte situação ao meu ver: o Professor Chierice é especialista em estudos de química de extratos vegetais e teve participação nos estudos com a fosfoamina (eu não posso dizer se foi grande ou pequena), e o Professor Maria é especialista na relação entre o sistema de defesa do corpo e o câncer e é o líder das pesquisas com a fosfoamina. Para mim, é óbvio que a voz a ser ouvida sobre a produção e distribuição da fosfoamina pela USP de São Carlos deveria ser a do Professor Maria. Porém, não existe nenhuma notícia divulgada pela mídia com uma entrevista com ele; só quem é entrevistado (ou quer falar) é o professor Chierice. Isso já o suficiente para me deixar com uma pulga atrás da orelha sobre a eficácia da fosfoamina no tratamento do câncer: por que o principal pesquisador do estudo não manifestou suas opiniões sobre o caso, nem que fosse simplesmente para aproveitar a repercussão do seu trabalho? Estranho, não?

Então, mérito e entrevistas a parte, o que as pesquisas do Professor Maria dizem sobre o efeito da fosfoamina sobre os tumores? A fosfamina tem ação tanto sobre células tumorais mantidas em cultura quanto em animais com câncer. Nas células em cultura, o composto mata parte das células, sem afetar células normais, além de reduzir a multiplicação das células tumorais. Segundo os artigos publicados, a fosfoamina age sobre as mitocôndrias, que são estruturas celulares responsáveis por fornecer energia química para o funcionamento celular. O composto atrapalha, de alguma forma ainda não compreendida, a atividade das mitocôndrias e, sem energia, a célula acaba “se matando”. Em animais com câncer, o tratamento com a fosfoamina aumentou o tempo de vida, reduziu a perda de peso (sintoma comum em pacientes com câncer em estágios avançados) e a capacidade dos tumores de se espalhar pelo corpo, o dano sobre o fígado e o estresse causado por radicais livres. Foram testados diferentes tipo de câncer, como de mama, de pulmão, de pele, e leucemia (FERREIRA et al., 2013a, 2011, 2012a, 2012b, 2013b, 2013c).

Isso quer dizer que a fosfoamina é a cura do câncer? Não, pelo menos ainda. A fosfoamina ainda não foi sistematicamente testada em pacientes humanos, o que impede especulações sobre sua capacidade antitumoral, embora os testes pré-clínicos sejam bastante animadores. Mas vamos ter que esperar alguns anos até a fosfoamina ser testada de maneira correta e receber registro na ANVISA (isso se o composto realmente for eficaz). Além disso, pelo menos 40 artigos foram publicados só esse ano descrevendo efeitos antitumorais de diferentes compostos, entre eles licopeno (presente no tomate) (KIM; KIM, 2015), extrato de gengibre (AKIMOTO et al., 2015) e chá preto (KOŇARIKOVÁ et al., 2015), e a artemisinina (remédio antimalária que rendeu o Prêmio Nobel de Medicina e Fisiologia a chinesa Youyou Tu essa semana). Se 40 compostos anticâncer são descritos por ano, por que as pessoas ainda morrem por causa da doença? Porque nem todos são eficientes em humanos, nem todos são bem absorvidos ou metabolizados pelo corpo, podem ser tóxicos, etc...

Mas são 40 pontas de esperança de vencer a doença a cada ano.

Referências

AKIMOTO, M. et al. Anticancer Effect of Ginger Extract against Pancreatic Cancer Cells Mainly through Reactive Oxygen Species-Mediated Autotic Cell Death. Plos One, v. 10, n. 5, p. e0126605, 2015.

FERREIRA, A K. et al. Synthetic phosphoethanolamine has in vitro and in vivo anti-leukemia effects. British Journal of Cancer, v. 109, n. 11, p. 2819–2828, 2013a.

FERREIRA, A. K. et al. Synthetic Phosphoethanolamine Induces Apoptosis Through Caspase-3 Pathway by Decreasing Expression of Bax/Bad Protein and Changes Cell Cycle in Melanoma. Journal of Cancer Science & Therapy, v. 3, n. 3, p. 53–59, 2011.

FERREIRA, A. K. et al. Anticancer effects of synthetic phosphoethanolamine on Ehrlich ascites tumor: an experimental study. Anticancer Research, v. 32, n. 1, p. 95–104, 2012a.

FERREIRA, A. K. et al. Synthetic phosphoethanolamine a precursor of membrane phospholipids reduce tumor growth in mice bearing melanoma B16-F10 and in vitro induce apoptosis and arrest in G2/M phase. Biomedicine & Pharmacotherapy, v. 66, n. 7, p. 541–548, 2012b.

FERREIRA, A. K. et al. Anti-Angiogenic and Anti-Metastatic Activity of Synthetic Phosphoethanolamine. PLoS ONE, v. 8, n. 3, p. e57937, 2013b.

FERREIRA, A. K. et al. Synthetic phosphoethanolamine induces cell cycle arrest and apoptosis in human breast cancer MCF-7 cells through the mitochondrial pathway. Biomedicine & Pharmacotherapy, v. 67, n. 6, p. 481–487, 2013c.

KIM, M. J.; KIM, H. Anticancer Effect of Lycopene in Gastric Carcinogenesis. Journal of cancer prevention, v. 20, n. 2, p. 92–6, 2015.

KOŇARIKOVÁ, K. et al. Anticancer effect of black tea extract in human cancer cell lines. SpringerPlus, v. 4, n. 1, p. 127, 2015.

69 comentários:

  1. Pelo que entendi, eles já pediram o registro na Anvisa, a qual colocou um monte de dificuldades.

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    1. Bem, a ANVISA nunca vai dar registro a um produto antes de testes sistemáticos em humanos, isso é fato.

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    2. Verdade. A discussão (que eu já não sei até que ponto é verdadeira) é quem vem tentando fazer os testes clínicos há mais de década e meia e sendo barrado pela USP. De qualquer forma essa repercussão vai dar mais chance de que seja efetivamente testado.

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    3. Li sobre isso também, mas acho difícil estarem tentando fazer os testes há mais de 15 anos e o primeiro estudo só ter sido publicado em 2011. Na atual situação, onde os cientistas tentam publicar o mais rápido possível, segurar um trabalho na gaveta por 10 anos me parece pouco provável. Mas pode ter sido mesmo a opção do pesquisador. Mas, como você disse, tomara que a repercussão e a pressão popular forcem o Governo a apoiar os testes em humanos de alguma forma.

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    4. Muitos Agrotóxicos e milhos transgênicos são liberados mesmo sabendo que fazem mal à saúde.

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    5. Os agrotóxicos não fariam mal à saúde se eles fossem usados nas lavouras na forma indicada pelo fabricante (eles são liberados com base nisso); o problema é que o agronegócio acaba usando doses e frequências maiores do que as indicadas. Cabe ao Governo fiscalizar e punir. E não existe nenhuma evidência sólida de que o milho transgênico faça mal à saúde (embora sejam claros seus impactos ecológicos e sociais).

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    6. David,

      Já que vocês entraram no assunto "transgênicos", resolvi oferecer meus "dois centavos": estudos recentes têm demonstrado não só que transgênicos são tão seguros quanto culturas tradicionais no que tange à saúde humana, como também não são piores para o meio ambiente, e na verdade melhores no aspecto social, trazendo benefícios financeiros principalmente para os fazendeiros mais pobres. Aqui está um ótimo resumo dos quase dois mil estudos feitos sobre transgênicos até o momento: http://www.geneticliteracyproject.org/2013/10/08/with-2000-global-studies-confirming-safety-gm-foods-among-most-analyzed-subject-in-science/

      E aqui um ótimo report que trata também das questões sociais: http://www.pgeconomics.co.uk/page/36/-gm-crop-use-continues-to-benefit-the-environment-and-farmers

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    7. Ah, e quanto aos agrotóxicos, realmente são um problema para os trabalhadores rurais, devido às péssimas práticas de segurança e falta de educação quanto ás melhores práticas, mas oferecem risco negligível para os consumidores finais. A imensa maioria das toxinas que ingerimos como nosso alimento vem de pesticidas produzidos naturalmente pelas plantas. Pesticidas artificias, peso por peso, representam muito menos de 1% de todas as toxinas que ingerimos com os alimentos. Este estudo sobre o assunto também é bem interessante: http://www.pnas.org/content/87/19/7777.full.pdf

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    8. Procura CAELYX.
      Sabe o que ele faz?
      É usado pra tratar CÂNCER.
      Sabe quanto ele custa? Até R$3000 por 10 ml de produto.
      Sabe o que ele tem como um de seus ingredientes?
      Fosfoetanolamina.

      Não foi liberado por interesses escusos. O Caelyx é registrado na anvisa e tá no mercado brasileiro há mais de 10 anos.

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    9. Não, o Caelyx não tem fosfoetanolamina em sua composição. Esse medicamento tem como composto ativo a doxorrubicina, que inibi a divisão e multiplicação das células. O que o Caelyx tem em sua composição e que é confundido com a fosfoetanolamina é n(carbamoil-metoxipolietilenoglicol 2000)-1,2–diestearoil–sn–glicero–3–fosfoetanolamina (ou MPEG-DSPE). O MPEG-DSPE é uma espécie de gordura sintética, que é usada para cobrir a doxorrubicina e aumentar o seu tempo de ação.

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    10. https://www.youtube.com/watch?v=TKUSK-BV9ls

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    11. Professor David. Boa tarde. Onde posso achar informações sobre o MPEG-DSPE? Obrigado. Daniel

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    12. Oi Daniel, em português, não achei nada muito didático. Em inglês, eu achei esse artigo científico que trata do uso do MPEG-DSPE em composição de medicamentos. http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3418104/

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  2. E a falta de caracterização, controle de qualidade e Boas Práticas de Fabricação da substância? Como fazer pesquisa clínica com uma substância produzida em laboratóro de pesquisa, sem critérios de qualidade, como documentação, rastreabilidade, equipamentos qualificados ou calibrados etc?

    Como é fabricada na USP? Tem laudo? Quem é o responsável técnico? Qual a concentração de substância ativa por cápsula? Existe uniformidade de conteúdo nas cápsulas? Peso médio e desvio padrão aceitáveis? Passa no teste de desintegração e dissolução????

    Se tivesse Qualidade e Boas Práticas de Fabricação, já se poderia tentar registro (ou notificação, visto que nem todo suplemento é registrado) como suplemento alimentar, sem alegações terapêuticas, visto que é uma fonte (precursora) de fosfolipídeos, tal como a leticina de soja, também suplemento alimentar.

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    1. Esse é um outro ponto importante que eu não abordei. Mas gosto de acreditar que a USP tem cuidado na produção das cápsula...

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    2. Se tiver alguém na sua família com um desses males, entre a vida e a morte, você certamente encontrará a resposta para suas perguntas...

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    3. Nunes, eu já tive familiares e amigos que morreram por causas diversas, inclusive câncer. Esse tipo de colocação de sua parte é puramente emocional.

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  3. Blá, Blá,Blá.......Blá, Blá,Blá. Tudo bem, todos querem congecturar, mas no cara a cara mesmo ninguém se dispõe, nem mesmo o poder público que deveria ser o mais interessado. Aparecem ("cientistas") querendo comentar e pixar o trabalho daqueles que querem fazer alguma cousa por alguém e não são benvindos porque, isso não intereça aos grandes laboratórios faturando fortunas com a dor de uns poucos desfaforecidos. Pessoalmente senti o descaso de quem o poder da caneta, e não se importa com a dor alheia. Porque se gasta bilhões em projetos infundados e não se perquiza a fundo e prontamente o que deveriam?. Antes de condenar qualquer trabalho bem intencionado, promovam séria discussão, empenhe-se nisso e parem de controlar a opinião publica apenas pela internete.

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    1. Só quero deixar claro que os trabalhos dos professores Chierice e Maria são muito interessantes, mas a fosfoamina ainda não foi testada sistematicamente em humanos.

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    2. Concordo !! Câncer e uma doença e trema e dolorosa, se e assim pq não testa. Qm quem se dispõe a isso. Tenho parente com câncer e gostaria de ver ela testar e dizer que sim/não funcionou!!!

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    3. Infelizmente, mesmo que a fosfoamina começasse a ser testada hoje, levaria uns 5 anos, na melhor das hipóteses, para que ela chegasse as prateleiras das farmácias. Ou seja, a atual geração de pacientes não será tratada com ela. Mas, dependendo do tipo de câncer, a quimioterapia atual funciona bem e o tumor for descoberto em um estágio inicial. Minha mãe se curou de um câncer de mama com mais de um ano de tratamento tradicional. Nunca existirá uma pílula mágica.

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  4. Ué, se não houve teste a culpa nao é do professor e sim da anvisa.

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    1. Na verdade, os desenvolvedores do remédio é que são responsáveis por realizar os testes clínicos. A ANVISA julga a liberação ou não com base nos dados obtidos nesse testes.

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    2. A Anvisa não faz testes clínicos. Os testes clínicos são sempre de responsabilidade da empresa fabricante do medicamento. O papel da Anvisa é avaliar se o estudo foi bem conduzido.

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  5. Amigo realmente esse remédio cura todas as pessoas que conheci com câncer! Pois ainda não foi liberado pela anvisa pq existem interesses financeiros! Pois tiveram uma reunião secreta com governo dos Eua a formula vai ser vendida por milhões e so os Eua vao ser exclusivos de venda em todo mundo! Essa bomba ainda vai estourar no fantástico ! Uma vergonha esse brasil!!!

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    1. Você tem a ata dessa reunião secreta para a gente dar uma olhada? Essa teoria da conspiração de que o Brasil vai vender a patente do remédio não vai nenhum sentido quando olhamos a história recente do país. O Brasil foi líder mundial na quebra de patentes americanas dos remédios do coquetel anti-HIV para que ele fosse produzido aqui. Foi isso que permitiu a distribuição gratuita do coquetel pelo SUS. Se a fosfoamida realmente fosse a cura do câncer, por que o Brasil iria vendê-la? Para brigar para quebrar a patente depois?

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    2. Se quiser lhe mando a ata e as receitas dos médicos do Sírio Libanês que receitaram a fosfo.

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    3. Ata que pode ser produzida pelo Word e um monte de pseudoassinaturas? Prefiro artigos em periódicos científicos com revisão por pares, com resultados que possam ser reprodutíveis. Apelo ao emocional não funciona nessas horas.

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  6. Por que a USP ou outra universidade não fez ainda os testes em humanos, ou em outros animais? Ou eles pretendem fazer ainda?

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    1. Essa é uma boa pergunta; eu não sei em que pé estão os ensaios clínicos da fosfoamina. Normalmente essa etapa demanda um grande volume de recursos, então é possível que os pesquisadores estejam buscando parcerias com a Industria Farmacêutica e com o Governo Federal ou de São Paulo. Mas isso é só especulação minha...

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    2. provavelmente falta de grana para bancar estudos clínicos.

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    3. é mais fácil um estudo desses ser realizado por um centro clínico que realize apenas estudos clínicos, muitos são realizados por empresas com sede no exterior (India e China, por exemplo).

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  7. Discordo, Governos, Industrias de Farmácia etc... Todos contaminados, todos manipuladores.

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  8. os próprios pesquisadores e donos da indústria farmaceuticas estao sujeito a pegar um cancer..entao nao entendo o interessse e segurar essa cura

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  9. Muitos bilhões de dólares em jogo, tem comprimidos que chegam a custar 1000, 00 cada, num tratamento de quimioterapia vai um carro zero, um médico oncologista fica rico rápido, esquemas de repasse de medicamentos de alto custo para o sus como a máfia das proteses que passou no fantástico, cura pra que? Este remédio édde baixo custo. ...

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  10. Bom, se o problema é conhecer a opinião do Dr. Durvanei, ele deu uma brilhante explicação de como a fosfoetanolamina funciona, dia 29 no depoimento no Senado Federal. Pesquise no YouTube, é bem fácil de encontrar. Aliás, seu post já tem 15 dias e talvez você tivesse desinformado quando escreveu. A participação do professor Gilberto foi a de inventar um método novo e barato de criar a fosfoetanolamina. E de orientar as teses de mestrado e doutorado que os seus alunos escreveram. Além, claro, de acompanhar o início dos ensaios clínicos que depois não avançaram, no hospital Amaral de Carvalho.

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    1. Coloca o link do vídeo aqui para a gente conferir!

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    2. O link está aqui: https://www.youtube.com/watch?v=v2ExCECuFqI

      Quanto à demonstração ser brilhante, eu deixarei que você decida. Nah, mentira. Vou falar: ele me parece um grandessíssimo fanfarrão. Alegou que a fosfo era um princípio ativo que atuava em qualquer tipo de câncer sem possuir efeitos colaterais, isso tendo como base os estudos feitos in vitro e em ratos. Não preciso apontar a quantidade de substâncias que são estudadas por ano e se demonstram promissoras em ratos mas que não apresentam eficácia em humanos. Ele não só tentou diminuir o fato de que as pesquisas apenas foram feitas em células in vitro e em ratos, como deixou implícito na fala dele que os estudos tinham relevância suficiente para decidir sobre a eficácia da droga. Digo "fanfarrão", porque não tem nenhum cabimento um pesquisador sério afirmar o que ele afirmou de maneira tão categórica, então só posso presumir que ele estava atuando como comediante.

      Parece que o único pesquisador envolvido com esses estudos realmente sensato e ponderado é o Adilson Kleber Ferreira, que deu essa entrevista aqui: http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2015/10/1696939-dados-de-remedio-anticancer-criado-na-usp-ainda-nao-estao-maduros.shtml

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    3. Assisti a apresentação do Dr. Maria agora, mas discordo que ele seja um fanfarrão. Ele provavelmente estava tentando convencer o Senado a ajudar no financiamento dos testes clínicos e para isso teve que ser enfático na apresentação dos resultados. Ele está vendendo o peixe, de forma honesta, não contou nenhuma mentira. E é fácil ser enfático para um público com baixa formação científica, como os nosso senadores. (Duvido que ele apresentasse os resultados da mesma forma em um congresso científico). De certa forma, ele confirma o que escrevi na postagem: a fosfoetalonamina funciona em células em cultura e em animais de experimentação, mas não foram feitos testes em humanos.
      Mas o que mais me impressionou é a nossa incapacidade de falar sobre Ciência de forma simples, para que todos entendam.

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    4. "Ele está vendendo o peixe, de forma honesta, não contou nenhuma mentira."

      O meu ponto de divergência se reflete principalmente na alegação dele, em um momento da apresentação, que a fosfo se mostrará eficaz contra qualquer câncer e sem causar efeitos colaterais. Ao meu ver ali ele passou da linha do que eu consideraria ético, mesmo dentro do contexto de "vender o peixe" - simplesmente porque não me parece que ele possa chegar a essa conclusão apenas extrapolando os dados dos testes já realizados. Ele inflou a importância e relevância dos resultados in vitro e em modelos com ratos, ao meu ver. Talvez não seja exatamente uma mentira, tendo em vista que trata de um evento que ainda não aconteceu, mas não seria exatamente uma verdade tampouco - pelo mesmo motivo. Parece mais mais uma profecia, o que não deixa de estar alinhado com o fervor religioso com o qual essa droga tem sido defendida pelos usuários/cobaias. Talvez tenha feito isso com boas intenções, mas eu não concordo exatamente com a ideia de que os fins justificam os meios, e o fato dele ter que convencer o Senado a avalizar a continuação das pesquisas não dá a ele licença para tanto, ao meu ver. É a minha visão, de qualquer forma. Admito ser bastante estrito quanto a isso.

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    5. Nos depoimentos no Senado, o prof. Gilberto e o prof. Salvador explicaram que houve um início de ensaios clínicos no hospital Amaral de Caravalho, em Jaú. Estavam dando para os humanos, com acompanamento dos profissionais do hospital. E as pessoas começaram a dar resposta positiva. E então o hospital subitamente cancelou o convênio. E os doentes que estavam sendo tratados foram atrás, para continuar tomando o composto. Tanto o Gilberto quanto o Salvador responderam a mesma coisa "O que fazer? Deixar morrer quem estava melhorando? Pagamos a produção do nosso próprio salário e continuamo dando para quem pedia". E a coisa foi assim, e aumentando cada vez mais, até que a USP proibiu, o Carlos Kennedy foi preso e a história explodiu. Eu acho que entre o rigor da ciência e a preservação da vida, escolheram deixar as pessoas viver. Que alternativa melhor eles poderiam oferecer para quem é paciente paliativo, que não pode operar e não responde mais a quimioterapia? A quantidade de pessoas que confirma diariamente que deixa de sentir dor é enorme. Eles próprios afirmaram que as pessoas chegavam com os exames comprovando as melhoras, e a única variável tinha sido a FOS. Eles entraram numa arapuca que, por pouco, não destruiu suas carreiras profissionais. Mas optaram pelo risco para deixar as pessoas vivendo. É uma atitude bem decente.

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    6. E sobre atuar em qualquer tipo de câncer, é fato. E não é nem a opinião do Dr. Maria. Em 1931, Otto Henrich Warburg ganhou o Nobel de Medicina por provar que a célula cancerígena não faz a respiração celular (fosforilação oxidativa) da mesma forma que a célula sadia. Isso vale para todos os tipos de câncer, sem exceção. Há 50 anos, o alemão Hans Nieper provou que a minerais nos formatos orotato e aspartato eram mais facilmente conduzidos para dentro da célula. Depois, ele descobriu um mecanismo superior de transporte de minerais para as células, utilizando 2-aminoetildihidrogenofosfato (2-AEP/fosfoetanolamina). Tratou asma, alergia, fadiga crônica, esclerose múltipla e problemas gástricos com Cálcio 2AEP e Magnésio 2AEP. Depois de alguns anos, percebeu que nenhum de seus pacientes tinha câncer. E que, aqueles que haviam tido não manifestavam mais os sintomas. Foi quando entendeu que os minerais, junto com o 2-AEP, eram metabolizados no fígado em fosfatidilcolina, fosfatidilserina e fosfatidiletanolamina e transportados para o interior da célula. E que, juntos, eles consertavam as estruturas celulares, especialmente as lesões da mitocôndria. E a fosforilação oxidativa voltava a acontecer. Ou seja, a célula voltava a respirar. O Dr. Renato Meneguelo afirma que a serina de alguma forma vai para o lado externo da estrutura, e passa a sinalizar para o sistema imunológico. Por sua vez, se a imunidade estiver funcionando, acontecerá o início da apoptose celular. É um mecanismo comum para todo tipo de câncer. E, talvez a segurança do Dr. Durvanei seja de observar diariamente os resultados acontecerem. Não com uma cobaia ou duas, mas com dezenas de pessoas. Centenas, eles afirmam. O alemão afirmou que durante todo o tempo em que medicou seus pacientes, não houve toxicidade. Os pesquisadores brasileiros perceberam a mesma coisa. Acho que esse profissional do Instituto Butantã não é um fanfarrão, nem de longe.

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    7. Concordo com você, NightHiker. Talvez ele devesse ter dito que a fosfoetanolamina funcionou contra todos os tipos de câncer testados e não apresentou efeitos colaterais nos animais. Mas acho que ele caiu no erro de tentar simplificar demais para uma plateia de não-especialistas.

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    8. Junior, eu afirmo que a fosfoetanolamina não funcione, mas acha que ela não pode ser distribuída sem os testes clínicos sérios. Teste sem grupo controle não pode ser feito. Tenho medo que as pessoas larguem a quimioterapia tradicional acreditando em uma cápsula milagrosa e piorem, ou que apareça um efeito colateral inesperado. Depois a culpa vai ser da Dilma. E isso abre um precedente para qualquer um fazer comprimido de qualquer coisa e distribuir (de graça ou não) dizendo que cura alguma coisa.
      E o chamado Efeito Warburg não é uma coisa assim tão 8 ou 80 como você descreve. Alguns tumores foram descritos como tendo atividade de fosforilação oxidativa normal. A hipótese de que a fosfoetanolamina induz a síntese de fosfolipídeos é interessante, mas não foi testada, pelo menos pelo grupo do Dr. Maria. O aumento da fosforilação oxidativa também não foi diretamente mostrado e, pelos dados publicados pelo grupo, as mitocôndrias parecem perder parte do seu potencial de membrana (o que poderia explicar a indução da apoptose). Isso indica uma piora do metabolismo mitocondrial, e não uma melhora. Ainda existem muita dúvidas sobre o mecanismo de ação da fosfoetanolamina in vitro.

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    9. Teve um bom debate hoje na Globo News. O prof Gilberto participou. Vejam aqui.

      http://g1.globo.com/globo-news/jornal-globo-news/videos/v/grupo-que-vai-testar-substancia-que-ajudaria-no-combate-ao-cancer-deve-se-reunir/4587667/

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    10. "Estavam dando para os humanos, com acompanamento dos profissionais do hospital. E as pessoas começaram a dar resposta positiva."

      Eles afirmam que assim foi feito, mas cadê os dados? Você sabe? Cadê os controles? Se afirmam que a única variável diferente era a fosfo, devem possuir esses dados. Por que não os publicam? E isso não me parece bater com a posição do Adilson ferreira, que fez parte dos grupos de estudo e não só permanece contra a distribuição da substância, como afirma que os dados pré-clínicos ainda não estão maduros o suficiente. ele deve conhecer bem os dados, inclusive os que não foram publicados seja por que motivo for, não?

      Quanto à questão do efeito Warburg, o David já respondeu. Ainda há muitas incógnitas no entendimento desse processo, e os resultados dos experimentos desse grupo não corrobora com exatidão o mecanismo teórico postulado por eles. Além disso, enquanto esse mecanismo parece realmente estar de alguma maneira envolvido no metabolismo das células cancerosas, hoje ele não é visto como "causa" do câncer, como Warbug alegava, mas como uma consequência de seu surgimento - por isso, e por conta do efeito não ser verificado em todo tipo de tumor, como o David já afirmou, gera o meu ceticismo quanto à afirmação do Dr. maria de que ela funcionará em qualquer tipo de câncer. Isso não significa que a fosfo não tenha efeito desejável no combate a muitos deles, apenas significa que é preciso continuar estudando-a, sem tomar atalhos através de lobbies políticos influenciados por pressão popular.

      E, mais uma vez, quanto aos resultados dos pacientes, se eles têm dados controlados, e que envolvem estudos duplo-cegos, então que publiquem. Se a opinião deles de que funciona se baseia apenas na avaliação subjetiva dos pacientes com os quais tiveram contato, isso tem pouco mais peso do que a avaliação de leigos, porque cientistas não são imunes aos vieses de confirmação e seleção que assolam nossos processos cognitivos, principalmente quanto há óbvios conflitos de interesse em estabelecer que a substância realmente funciona.

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    11. @NightHiker, você conhece o papel da fosfoetanolamina, e depois da fosfatidiletanolamina e os demais fosfolipídeos no caminho de Kennedy, para a geração de ATP? Ou é daqueles que nunca ouviu falar e só está reclamando da burocracia não atendida?

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    12. Pô, Junior, essa aí até eu quero saber... Porque, até onde sei, a via de Kennedy para a síntese de fosfolipídeos usa ATP e não gera...

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    13. Tem razão, eu me expressei mal. A fosfatidiletanolamina (PE) é produzida utilizando-se ATP. Resulta desse metabolismo a geração de PE N-acy-etanolaminas, que atuam como moduladores para os receptores da dor (página 3 do link abaixo). É por isso que os doentes deixam de sentir dor logo nos primeiros dias. Se o organismo for pobre em PE, vai resultar em organelas de crescimento limitado e vai resultar na formação de céluas com respiração deficiente.

      Interessante desse trabalho do link, é que ele cita o quanto tem de PE nos humanos. "A concentração média de etanolamina é variável: em adultos é de ~2µM, enquanto em recém-nascidos varia entre 26 and 92 µM"

      Quando eu me referi à geração de ATP, estava pensando no sentido de que, sem PE, as próximas células terão deficiência respiratória e baixa produção. Torna-se um ciclo vicioso. Até que chega ao ponto da célula não respirar mais. Faz sentido suplementar FOS nesse caso, não lhe parece?

      http://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1002/iub.337/pdf

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    14. Eu tenho minhas dúvidas; acho que se os níveis de PE forem muito baixos a célula vai morrer antes que efeitos significativos sejam vistos. Mas isso é tudo meio especulativo; o fato é que o modo de ação da FOS ainda é pouco conhecido.

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  11. INFELIZMENTE PERDI UMA MÃE COM CA DE MAMA E MINHA AVÓ ESTÁ COM CA GASTRO. A VERDADE É A SEGUINTE:A A MEDICINA GANHA MILHOES COM OS "PLACEBOS" QUE SÃO PRESCRITOS AOS PACIENTES!!
    ELES NÃO TEM NA VERDADE A INTENÇÃO DE DIVULGAR A CURA!!! REVOLTANTE!!!!!

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  12. Outra: o artigo que o Dr. Durvanei diz no video que seria publicado já está aparecendo online. Escrito por pesquisadores da "School of Chemical & Biomolecular Engineering, Georgia Institute of Technology," sobre a fosfoetanolamina tendo papel central na indução de apoptose em leucemia. É a prova da eficiência no tratamento de leucemia, estudos semelhantes aos realizandos aqui no Brasil com alunos do Dr. Durvanei Maria, com células tumorais de leucemia mieloide, com inserção do gene de resistência a múltiplas drogas. Os americanos obtiveram os mesmos excelentes resultados com a fosfoetanolamina. Modelos aprovados pelo FDA.

    http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/26175011

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    1. Não tenho dúvidas que a FOS funciona em modelos experimentais, mas os estudos clínicos em humanos precisam ser feitos antes que o fármaco seja distribuído.

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    2. O estudo é sobre vitamina K2. Oferecendo vitamina K2 para a célula, o aumento da produção de fosfoetanolamina é automática. E o estudo fala que eles perceberam que ela serve para leucemia e câncer de útero e que pode ter ampla utilização. Não entendo porque deveria ter mais estudos. Eu compro colina onde quiser e é barato. Posso mandar manipular fosfatidilserina e também é barato. Porque deveria ser diferente com a fosfoetanolamina? Ela apenas é a precursora de um fosfolipídeo. Ninguém complica com colina e serina. Não tem sentido, não é uma coisa nova. Sobre morrer sem FOS, não morre. Apenas a mitocôndria fica inativa e o núcleo fica doido e começa a buscar energia de outras fontes.

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    3. O problema é o que eu disse antes: a liberação da FOS nessa situação pode abrir precedentes para que outros compostos sejam liberados sem estudos e qualquer um comesse a embalar qualquer coisa para vender dizendo que cura algo. É perigoso deixar que isso aconteça.

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  13. Lei 10.742 de 2003, art. 24 dispõe que: “estão isentos de registro os medicamentos novos, destinados exclusivamente a uso experimental, sob controle médico, podendo, inclusive, ser importados mediante expressa autorização do Ministério da Saúde”

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    1. Uso experimental pressupõem um teste controlado, com um grupo de pacientes tratados e um controle, coleta de dados para análise dos resultados, etc... A simples distribuição do medicamento não é uso experimental, é tratamento com medicamento não autorizado pela ANVISA (e eu diria irresponsabilidade).

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  14. Pergunta simples e objetiva com resposta SIM ou NÃO: Vcs que possuem muitas reservas quanto ao uso da Fosfoetanolamina antes de serem realizados e concluídos os testes clínicos, usariam HOJE o "composto experimental" caso descobrissem que estão com câncer e possuem no máximo 6 meses de vida? SIM ou NÃO?

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  15. Não existe resposta objetiva; depende da situação. Se o meu oncologista me oferecesse para participar de um teste clínico de um composto experimental, eu toparia sem dúvidas. Mas nunca tomaria um composto qualquer não testado sem orientação médica porque vi alguns relatos na internet dizendo que funciona.

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  16. Fosfoetanolamina não é medicamento. Como parte integrante do leite materno,que é o resultado da mistura de proteinas + carboidratos + gorduras + fosfoetanol + etc podemos classifica-lo como alimento ou suplemento alimentar. Em uso milenar pelos seres Humanos em sua fase mais sensível e crítica - os bebes.
    Assim como arroz, feijão,agua, etc, a substância não deve ser alvo de testes de segurança farmacêutica, cujo objetivo primário é avaliar a toxidez, e neste caso particular existe a prova real em bilhões de frágeis seres humanos que nada sofreram por causa de sua ingestão .
    Por outro lado, também, há relatos de resultados positivos, benéficos, sem os efeitos colaterais da quimio/radio terapia em casos de tumores cancerigenos. Então, porque não aumentar a oferta deste alimento aos pacientes que ainda não o experimentaram , sem nenhum risco, para confirmarmos ou não sua eficácia ?

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    1. A fosfoetanolamina é um medicamento, não importa se ela está presente naturalmente em alimentos ou não. Além disso, para o tratamento, ela será consumida em quantidades muito maiores do que o normal. E isso precisa ser testado para possíveis efeitos colaterais (você pode morrer se beber água demais, por exemplo). Por último, ainda não é possível dizer se a fosfoetanolamina funciona. Não podemos usar relatos individuais como base; só os ensaios clínicos vão dizer se o medicamento é eficaz.

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    2. A classificão de não medicamento é de orgãos oficiais, além do fato de ser uma das substâncias que compoem o "shake" leite materno - o mais completo e saudavel alimento humano, cujos componentes individuais são necessariamente alimentos que promovem a sustentação da mais frágil fase da nossa vida.
      Os testes farmacológicos são realizados com pessoas plenamente SAUDÁVEIS , por isso com DOSES
      muito menores que as do tratamento. É possível assim avaliar a toxidez com mais segurança, permitindo também medir o tempo de vida médio, e taxa de absorçào. Os efeitos colaterais declarados são principalmente resultado do relatório das cobaias humanas.
      Apesar do risco de morte por ingestão da substância composta H²O (2 hidrogênio + 1 oxigênio = agua) não implica na sua classificação como medicamento.
      Com a segurança atestada por bilhões de cobaias humanas podemos e devemos avaliar se aquele componente alimentar É ou NÃO eficaz como agente de regulação do processo de replicação de DNA, com o devido acompanhamento clínico. No mínimo, estaremos dando confôrto psicológico na expectativa de melhora sem ser invasivo. PRECISA SER AGORA sem esperar esta longa discussão de formalidades gerais engessadas e sem raciocínio de validade para um caso específico.

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    3. Dizer que a fosfoetanolamina é segura porque está presente no leite materno é absurdo. Por essa lógica posso dizer que cianeto é seguro porque está presente na maçã, e ninguém morre envenenado comendo maçã. Leite e fosfoetanolamina são tão comparáveis quanto elefante e pasta de amendoim. E, se fossem comparáveis, poderíamos afirmar que a fosfoetanolamina não combate o câncer; bebê não são imunes ao câncer, pessoas que consomem leite não são resistentes a doença e intolerantes a lactose não são mais suscetíveis. Liberar o uso da fosfoetanolamina antes dos testes clínicos e da avaliação da ANVISA é irresponsabilidade por vários motivos, entre eles, porque pessoas com pouco educação científica podem simplesmente abandonar o tratamento tradicional, o que pode ser um risco de vida para elas, e isso abre precedente para que qualquer pessoa, envase qualquer coisa para tratar qualquer doença, e venda por qualquer preço, explorando a esperança e desespero dos pacientes.

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  17. Não há lei que regulamente testes para consumo de água, arroz, leite materno e alimentos em geral . Podemos consumi-los sem prévia autorização do governo.
    O leite materno é um "shake" de varias substâncias como proteinas + carboiddratos + gorduras + FOSFOETANOLAMINA . Tem sido testado durante séculos por bilhões de individuos com excelentes resultados sem nenhum efeito danoso !!!! Os individuos aqui são seres Humanos na sua fase de vida mais sensível e crítica no sentido da própria sobreviência .
    Porque o preconceito com a subtância alimentar ???
    Por outro lado, também, há relatos de resultados positivos, benéficos, sem os efeitos colaterais da quimio/radio terapia em casos de tumores cancerigenos. Então, porque não aumentar a oferta deste alimento aos pacientes que ainda não o experimentaram , sem nenhum risco, para confirmarmos ou não sua eficácia ?

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  18. Caro David,

    Em primeiro lugar, parabéns pela iniciativa de discutir o assunto e expor de forma mais científica a problemática entorno da Pho-s (abreviatura de Synthetic Phosphoethanolamine usada pelos autores). Lendo os comentários acima percebo em seu discurso uma dose bastante ponderada a respeito do uso potencial desse composto no tratamento anticâncer. Digo ponderado, e até mesmo livre de qualquer preconceito, dado que o que se tem ouvido de especialistas, pesquisadores e políticos transmite a sensação de preconceito para com a droga. Digo mais, beira o descaso, pois não se dão nem ao simples trabalho de checar nas bases de dados científicos (ex. PubMed, que você obviamente conhece por ser pesquisador renomado) os estudos feitos pelo grupo do prof. Dr. Maria, o qual inclui o prof. Chierice como colaborador. Não vamos citar nomes, mas boa parte das autoridades no assunto, por exemplo ANVISA, Conselho Federal de Medicina, médicos renomados, não citam, ou pelo menos, não fazem a menor menção aos resultados obtidos pelo grupo do Dr. Maria. Aqueles que remotamente os citam, dizem apenas que há trabalhos feitos com células e modelo animal para alguns tipos de tumores, porém percebo a completa falta de fé na análise minuciosa desses trabalhos por parte dessas autoridades. Parabenizo você uma vez mais porque você sim o fez, admitindo a partir deles que existe sim uma possibilidade que essa possa ser uma opção bastante promissora. Concordo plenamente que qualquer droga necessita veementemente passar pelas fases do Trial clínico, exemplo, para não expor a população a um mal desconhecido, ex. talidomida. Por outro lado, questiono o argumento de que várias outras drogas em testes anualmente com comprovada eficácia antitumoral não alcançarem sucesso para se tornarem droga definitiva. Não significa que por essas várias drogas não terem se tornado droga legalmente aceita para tratamento que a Pho-s também não o seja. São apenas estatísticas. E a probabilidade de uma droga vir a ser eficaz ou não após os testes clínicos é a mesma para qualquer uma (salvo em casos onde a substância realmente não possui qualquer base teórica, o que não é o caso das citadas por você, incluída a Pho-s). Felizmente esse argumento utilizado por você foi muito bem colocado, já que ao final considera que as 40 substâncias recém descobertas representam 40 novas esperanças. Essa visão não é a mesma das autoridades quando usam o mesmo argumento. Sinto que usam o argumento na tentativa de, digamos, “desqualificar” a Pho-s. Também desconsideram a prática que vinha sendo aplicada pelo prof. Chierice, ainda que “extra oficial” de produzir e fornecer a substância para familiares de pessoas acometidas por diferentes tipos de tumores. Porque digo isso? Pois, segundo relatos do próprio prof. Chierice, são estimados mais de 40.000 pacientes que receberam a droga. Muitos desses pacientes dão testemunho de que se curaram, ou pelo menos, estenderam o seu tempo de vida. Aqui cabe uma pergunta – se a Pho-s realmente causasse citotoxicidade e agravasse a saúde dos pacientes, porque tantas outras pessoas seriam encorajadas a buscar auxílio nessa droga? Se ela acelerasse o processo a favor da progressão do tumor, portanto, prejudicial ao tratamento anterior realizado por quimioterapia conduzida por um oncologista, o fato já não teria sido denunciado por vários oncologistas? Penso que há algo mais ainda velado que justifique a “falta de interesse” das autoridades em saúdo e farmacêuticas brasileiras antes do surgimento do clamor popular que gerou a polêmica. Pergunto, esse algo mais que não sabemos nunca pode trazer algum tipo de prejuízo “premeditado” aos resultados dos teste clínicos que estão em marcha nos diferentes órgãos governamentais de pesquisa, já que esse algo mais poderia ser de fato interesses comerciais levianos à sociedade, para favorecer a indústria farmacêutica e médica? Não tenho respostas a essas questões, e tenho muito interesse em saber a sua opinião, pois ela me parece bastante ponderada e coerente, como já disse antes. Obrigado.

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    1. Oi Kleber, como disse algumas vezes acima, não sou muito adepto de teorias da conspiração; não acho que o governo vai tentar esconder os resultados para vender a patente para alguma farmacêutica. O governo e o SUS tem um histórico de quebra de patentes e distribuição gratuita de remédios para AIDS, diabetes, hipertensão, etc. Será um contrassenso vender a patente para quebra-la depois.
      Outro ponto é estimar do funcionamento da Pho-s com base nos relatos de pacientes não controlados. Por exemplo, se 90 % dos 40 mil que tomaram a Pho-s morreram sem qualquer melhora, ainda teríamos 4 mil pessoas fazendo alarde na mídia dizendo que a Pho-s é milagrosa; mas 10 % de cura é muito ruim para um quimioterápico atualmente.
      Meu problema com a liberação da Pho-s sem os testes clínico é a oficialização do charlatanismo na medicina: qualquer um vai poder vender qualquer coisa dizendo que cura qualquer doença, por qualquer preço.
      P.S.: E obrigado pelo "pesquisador renomado", mas ainda estou longe disso... ;)

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  19. Caro David,

    Muito obrigado pela pronta resposta. Concordo com você em gênero e grau. Pois imaginemos se a justiça liberasse o uso indiscriminado da Pho-s e ela fosse administrada a todos os tipos de câncer. Caso em um ou mais tipos ela não fosse eficiente, mas para outros sim, seria um passo atrás na descoberta de uma droga eficaz para alguns tipos, pois rotularia uma promessa como sendo fruto de charlatanismo por aqueles que não foram curados. Mas considero que negar a alguém que está fadado a morrer uma outra possibilidade, inclusive considerada por muitos como promissora, por receio de que ela venha a prejudicar aquele paciente cujo o maior prejuízo ele já possui, a certeza de que morrerá, parece-me bastante contraditório. Também me sinto conduzido por um sentimento contrário a essa "teoria de conspiração". Confesso. Porém, em se tratando de um país como o Brasil, que passa por um descrédito político gigantesco, e aqui me refiro a eles como autoridades responsáveis pelas decisões a serem tomadas, incluídas as relativas aos testes com a Pho-s ou qualquer outra droga, sempre vem-me o pensamento. São vários os fatores que a mim me instigam a pensar nessa possibilidade, e creio que a muitas outras pessoas, cujo ente querido faz parte do grupo que vê na Pho-s a materialização de uma esperança. Entre esses fatores cito a mídia escrita e televisiva favorecendo certos grupos políticos, o nosso parlamento repleto das chamadas “bancadas”, ou seja, a criação de “facções” no seio da principal casa que toma decisões legislativas importantes para o país. Bancadas essas cuja formação é justificada apenas como manobra para aquisição de poder para decidir em favor de interesses próprios. Sigo: a completa degradação do serviço público em prol do favorecimento de familiares ou pessoas próximas, o envolvimento da justiça no cenário político de maneira absolutamente partidista e autoritária em benefício de grupos com interesses elitizados, o descaso crônico com a educação e o desenvolvimento tecnológico, entre vários outros. Essa cadeia de fatos trágicos que trazem muita desilusão à sociedade geram a desconfiança que induz muitos a pensarem que favorecer interesses industriais é algo real, infelizmente. Em um país que aparenta claramente não ser um país sério, é sem dúvida difícil acreditar que algo no mínimo decente saia destes testes. Eu gostaria muito acreditar nisso, mas depois de 44 anos de vida aqui nesse pedaço de terra chamado Brasil, somente me permitem desconfiar. Abraço e ânimo com o blog.

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