sexta-feira, 29 de maio de 2015

Genética de bactérias que causam diarreia pode permitir a criação de uma vacina única contra a doença


Uma bactéria, chamada Escherichia coli enterotoxigênica, causa um grave quadro de diarreia nas pessoas infectadas. Quatrocentos milhões de pessoas sofrem com a doença todo ano, e 400 mil (ou seja, 10 %!) crianças de países pobres morrem em decorrência dela. Entender sobre a biologia dessa bactéria pode então salvar muitas vidas.

Assim, pesquisadores da Suécia, Reino Unido, Alemanha, Japão, Estados Unidos e Finlândia se dedicaram a entender como essas bactérias se tornam causadoras de doenças (ou seja, patogênicas) através do estudo da evolução do seu material genético. Para isso, eles sequenciaram o genoma de mais de 300 isolados dessas bactérias, que foram obtidos de pessoas doentes na Ásia, África e Américas, entre 1980 e 2011. Os resultados obtidos foram então analisados em computadores, permitindo comparar os genomas, agrupar os isolados mais parecidos e reconstruir a história evolutiva das bactérias.

Os cientistas esperavam que essas bactérias se tornassem patogênicas “meio que de uma hora para outra”, recebendo material genético de outras bactérias no ambiente ou incorporando DNA livre que elas encontram por onde vivem. (Pode parecer bizarro, mas, sim, as bactérias podem achar DNA pelo caminho e, se acharem legal, juntar com o seu genoma.) Se isso fosse verdade, os genomas das bactérias analisadas teriam pouca relação entre si. Mas o resultado foi surpreendente.

Na verdade, os pesquisadores descobriram que os isolados são muito mais parecidos do que eles esperavam. As análises evolutivas também indicaram que cinco linhagens dessa bactéria surgiram já há algum tempo, entre 50 e 170 anos, quando o mundo começou a se tornar mais globalizado e ficou mais fácil viajar entre diferentes continentes. Isso mostra que as bactérias têm um genoma e capacidade de causar a doença bem estáveis. Assim, podemos crer que muitos dos isolados que causam diarreia surgiram de um único grupo de bactérias ancestrais.

O fato é que, como seus genomas são parecidos, suas proteínas também vão ser. Assim, pode ser possível desenvolver uma vacina única que proteja as 400 mil crianças que morrem de diarreia todo ano pelos países subdesenvolvidos da maioria das linhagens de bactérias que causam a doença.

Referência

VON MENTZER, A. et al. Identification of enterotoxigenic Escherichia coli (ETEC) clades with long-term global distribution. Nature Genetics, v. 46, n. 12, p. 1321–1326, 2014.

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