segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Aumento de pressão na terceira idade. Por quê?



A hipertensão arterial (conhecida como pressão alta) é uma das doenças que mais afetam pessoas por todo o mundo. É caracterizada por um aumento nos níveis de pressão arterial, a força que a sua circulação sanguínea exerce nas suas artérias, a níveis que estão relacionados a um maior risco de doenças do coração e rins. Até aí, nenhuma novidade. Mas você já se perguntou, por que a proporção de pessoas com hipertensão aumenta com a idade? Já se sabia que quanto mais velho, maior o risco do paciente desenvolver um quadro de pressão alta. Mas o porquê disto ocorrer ainda não havia sido descrito.

Um grupo japonês, liderado por Motohiro Nishida, acrescentou uma possível resposta a essa pergunta. Eles abordaram o problema com conhecimentos já estabelecidos. Sabe-se que um hormônio produzido por nós, a angiotensina II, tem papel importante para regulação de diversas funções no nosso corpo. Por exemplo, se estamos desidratados, ela é liberada e promove o fenômeno de retenção de sais nos rins (que responde pelo nome bonito de antinatriuese), que em ultima análise diminui a quantidade de água perdida na forma de urina. Apesar de seus efeitos benéficos, desde muitos anos atrás se sabe da participação de angiotensina II no desenvolvimento da hipertensão. A Losartana, um dos remédios contra pressão alta mais utilizados e conhecidos no mundo, age bloqueando seus efeitos desencadeados pela ligação da angiotensina II com o receptor nas células.

 Neste trabalho, entretanto, eles verificaram uma associação do receptor de Angiotensina II (chamado AT1R), com um receptor de nucleotídeos (composto com diversas funções no organismo, como compor o DNA e servir como doador de energia para várias reações químicas), chamado P2Y6. O receptor P2Y6 é ativado durante situações de estresse. Eles verificaram que ratos jovens possuem pouca associação entre esses receptores nos vasos sanguíneos, enquanto em ratos mais velhos, esses receptores interagem fisicamente com maior frequência. O grupo demonstrou que essa interação aumenta o efeito hipertensivo de angiotensina II desencadeado pelo seu receptor. Mais ainda, foi visto que uma droga experimental capaz de desfazer a associação entre P2Y6 e AT1R possui efeitos anti-hipertensivos e efeitos protetores nos vasos sanguíneos.


Os pesquisadores ainda discutem a relevância do trabalho. Apesar de diversos medicamentos disponíveis, o número de pessoas diagnosticadas com hipertensão tem aumentado de maneira consistente. Isso aumenta a necessidade de novas abordagens terapêuticas para a manutenção da pressão em valores normais, especialmente em pacientes mais idosos. Apesar da droga ainda ser experimental, os resultados promissores demonstram um possível novo tratamento com função contra a pressão alta e de proteção dos vasos sanguíneos. Além disso, os pesquisadores acreditam que fatores ambientais levem a maior associação entre AT1R e P2Y6, como inflamação, estresse mecânico e o próprio envelhecimento. Ficar de boas ainda não foi provado como um tratamento para a hipertensão, mas ao que tudo indica, pode ajudar a diminuir aquela pressão alta na terceira-idade. 

Referência:
Nishimura A. et al. Purinergic P2Y6 receptors heterodimerize with angiotensin AT1 receptors to promote angiotensin II-induced hypertension. Science Signaling, 9 (411), 2016.

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