terça-feira, 2 de agosto de 2016

Tratando câncer com... bactérias?!?


Bactérias. Normalmente, quando ouvimos essa palavra, somos instintivamente levados a pensar em coisas negativas: infecção, doença, dor. Apesar de algumas bactérias de fato causarem tudo isso, é clara a contribuição delas para que consigamos viver melhor. Um exemplo claro disso é a nossa flora intestinal. As diversas populações de bactérias que vivem no nosso intestino não nos fazem mal, pelo contrário: auxiliam o trânsito intestinal, nos ajudam a quebrar moléculas que sozinhos não conseguiríamos, impedem o crescimento de outras bactérias que poderiam nos deixar doentes.
               
Sabendo que bactérias podem ser benéficas também, pesquisadores americanos pensaram: por que não modificarmos bactérias para tratarmos.... o câncer?!? Eles utilizaram uma variante atenuada, ou seja, um grupo de bactérias sem capacidade infecciosa, do gênero Salmonella, e a modificaram com engenharia genética para que elas invadissem células de câncer e, após se multiplicarem, rompessem essa célula, matando-a. Não apenas isso, mas essas bactérias são capazes também de produzir substâncias tóxicas para as células de câncer, ou ainda substâncias que aumentem a eficiência do sistema imune contra as células de câncer.

Os resultados se mostraram promissores: em modelo in vitro, células de câncer cervical se mostraram sensíveis a essas bactérias, morrendo na presença de bactérias; em modelo in vivo, camundongos com câncer cólon-retal infundidos com a bactéria, foi observado a presença da bactéria apenas no tecido tumoral, sugerindo especificidade do tratamento. Mais ainda, em metástases deste câncer no fígado, foi observado diminuição da atividade tumoral e aumento da sobrevivência dos animais que recebiam uma terapia combinada de bactérias modificadas mais um medicamento já utilizado para este tumor, mostrando que as bactérias também auxiliam aumentando a atividade de terapias já existentes.
                
Apesar de muito animadores, estes resultados ainda se mostram bem iniciais para os próprios pesquisadores. Ainda é necessário verificar a segurança destas bactérias para outros tecidos, bem como formas de aumentar a eficiência do tratamento em longo prazo. Apesar disso, este criativo trabalho mostra como as bactérias ainda tem muito a nos auxiliar!

Segue o vídeo das bactérias modificadas:




Omar Din M., et. al., Synchronized cycles of bacterial lysis for in vivo delivery, Nature Letters, 2016

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