quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Novo método de identificação de DNA pode mudar transplantes e investigações criminais


Se você tem menos de vinte anos e é fã de CSI (qualquer um), provavelmente pensou em ser perito criminal da polícia civil. Mas, infelizmente, aquilo não passa de ficção e as investigações criminais por todo mundo estão longe de terem toda aquela tecnologia. Por exemplo, os assassinos teriam muito tempo para fugir se dependesse das evidências de DNA encontradas na cena do crime. No CSI, o cabelo do suspeito é colocado em uma máquina (que não existe) e a identidade do assassino sai em questão de minutos. No mundo real, o DNA do cabelo do suspeito teria que ser extraído em um processo cuidadoso para evitar danos e contaminação do material genético. Se houver DNA suficiente, esse seria então amplificado no laboratório e em seguida analisado e comparado com um banco de dados. O processo levaria, na melhor das hipóteses, alguns dias (isso se nada der errado no processo, fazendo com que ele volte para o início). Se a amostra tiver DNA de duas pessoas, já era; fica basicamente impossível identificar o assassino (na vida real, claro; no CSI, uma super-máquina separaria os DNAs rapidamente).

Desistiu de ser perito? Calma! Pesquisadores americanos publicaram no ano passado um método de identificação (quase) digno do CSI. Atualmente, as pessoas são identificadas através do DNA por regiões do genoma chamadas de microssatélites. Esses microssatélites parecem não ter função no DNA e são muito variáveis, em termos de tamanho, entre os indivíduos. Assim, cada pessoa no mundo tem um padrão único de tamanhos de microssatélites e é possível ligar cada DNA a seu dono. Os testes de paternidade funcionam da mesma forma; o filho em questão vai ter uma combinação do padrão de microssatélites do pai e da mãe. Se o moleque não tiver algum microssatélite que não vem da mãe ou do suspeito pai, o cara se livra da pensão. Mas essas análises enfrentam os problemas acima: as amostras de DNA precisam estar em boas condições e quantidade, puras, e o processo é demorado. O que os pesquisadores americanos exploraram então foi uma diferença ainda mais abundante entre o DNA das pessoas: diferenças pontuais na sequência do genoma (os chamados SNPs).

Mas para isso, é preciso sequenciar o DNA das pessoas diretamente (como o filme Gattaca, mas obviamente não tão fácil e rápido, ainda). Isso só se tornou possível porque os custos para se sequenciar DNA caíram rapidamente com o surgimento de novas tecnologias, chamadas de sequenciamento de nova geração (não tão rapidamente quanto o preço do petróleo...). Assim, os cientistas escolheram uma região específica do DNA humano onde são conhecidas 17 mutações pontuais na sequência, o que dá um grande número de possíveis combinações. E eles conseguiram identificar o DNA onde ele era 0,01 % do total da amostra, fazendo desse método pelo menos 100 vezes mais sensível do que o que usa os microssatélites. Além disso, como as amostras têm as sequências lidas e não dependem de um perfil de tamanho, mesmo DNA contaminados com outros materiais genéticos podem ser analisados. Por exemplo, se dois suspeitos deixam amostras de DNA no mesmo local, ambos podem ser identificados.

Além de auxiliar na investigação criminal, o novo método também pode mudar a forma de avaliar transplantes de órgãos e medula óssea. Hoje, o principal tratamento para alguns tipo de leucemia é o transplante de medula, quando existe um doador compatível. Depois, a presença de células cancerígenas poderá ser mais facilmente detectada com o novo método. Já no transplante de órgãos sólidos, quando há suspeita de rejeição, o paciente precisa passar por uma biópsia invasiva; o novo método de identificação de DNA poderá fazer o mesmo com um simples exame de sangue.

Se cuida, CSI!

Referência
 

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