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Genética de bactérias que causam diarreia pode permitir a criação de uma vacina única contra a doença

Uma bactéria, chamada Escherichia coli enterotoxigênica, causa um grave quadro de diarreia nas pessoas infectadas. Quatrocentos milhões de pessoas sofrem com a doença todo ano, e 400 mil (ou seja, 10 %!) crianças de países pobres morrem em decorrência dela. Entender sobre a biologia dessa bactéria pode então salvar muitas vidas. Assim, pesquisadores da Suécia, Reino Unido, Alemanha, Japão, Estados Unidos e Finlândia se dedicaram a entender como essas bactérias se tornam causadoras de doenças (ou seja, patogênicas) através do estudo da evolução do seu material genético. Para isso, eles sequenciaram o genoma de mais de 300 isolados dessas bactérias, que foram obtidos de pessoas doentes na Ásia, África e Américas, entre 1980 e 2011. Os resultados obtidos foram então analisados em computadores, permitindo comparar os genomas, agrupar os isolados mais parecidos e reconstruir a história evolutiva das bactérias. Os cientistas esperavam que essas bactérias se tornassem patogênicas “mei...

Por que os mosquitos picam as pessoas?

Os insetos que bebem sangue (chamados hematófagos) são responsáveis pela transmissão de diferentes tipos de doenças para os seres humanos. Por exemplo, os barbeiros transmitem a Doença de Chagas, a mosca tsé-tsé transmite a doença do sono na África, os mosquitos do gênero Anopheles transmitem diversos tipos de malária pelo mundo. Nosso mosquito “companheiro” Aedes aegypti é responsável por infectar a população brasileira com vários vírus, como Dengue, Febre Amarela, Chikungunya e o recém-chegado Zika. Mas por que alguns mosquitos preferem picar pessoas e não outros mamíferos? Buscar a resposta para essa pergunta vai além de saciar a curiosidade de um grupo de cientistas; pode revelar uma forma de evitar que os mosquitos nos encontrem e reduzir a transmissão de doenças. Em 1952, pesquisadores descreveram dois tipos de A. aegypti na região de Rabai, Quênia. Os mosquitos com coloração marrom eram domésticos: entravam nas casas, colocavam seus ovos em recipientes com água no in...

Proteína modificada em laboratório inibe a propagação do câncer para outros tecidos

Um dos maiores problemas causado pelo câncer é a metástase, uma mania chata dessas células doentes de saírem do seu tecido de origem e irem se instalar em outros, espalhando tumores por todo o corpo do paciente. O surgimento de novos tumores em diferentes partes do corpo dificulta muito o tratamento e aumenta a chance do comprometimento de algum órgão vital. A metástase na fase final do desenvolvimento do câncer é uma das causas de morte dos pacientes. Embora metástase seja extremamente perigosa para o paciente, ainda não é bem entendido porque algumas células do tumor “resolvem” se soltar, viajar pela corrente sanguínea e se mudar para outro lugar. Diferentes grupos de pesquisa estudam o fenômeno e buscam formas de impedir que ele aconteça. Sabe-se hoje que pelo menos duas proteínas estão envolvidas no processo. A primeira é um receptor de membrana, chamado Axl. Essa proteína transmite a célula sinais vindos de fora e estimula a célula a responder a eles. A segunda é uma prot...

Nova molécula pode facilitar tratamento com células tronco do cordão umbilical

O transplante de medula óssea é a única cura possível para várias doenças, incluindo alguns canceres, como leucemia e mieloma múltiplo. Nesse processo, as células doentes da medula do paciente são totalmente destruídas e então substituídas por células saudáveis, na maioria das vezes de um doador. O maior problema para esse transplante é a compatibilidade entre o paciente e doador. Se eles não forem geneticamente compatíveis, o procedimento não pode ser feito devido ao elevado risco de rejeição. Além disso, cerca de 35 % dos pacientes não tem um doador compatível e por isso não podem fazer o tratamento. A solução final para esse problema seria usar as células do próprio paciente, que obviamente serão compatíveis. Mas surgem ainda dois problemas. Primeiro, as células já estão doentes, então elas precisariam ser retiradas antes da doença se manifestar. Se as células do cordão umbilical foram armazenadas no momento do nascimento, esse problema está resolvido. Se não, será preciso ...

Cultura de célula pode ser novo modelo para Alzheimer

A Doença de Alzheimer é a forma de demência mais comum, e está relacionada ao envelhecimento (60 % das pessoas com mais de 90 anos apresentam algum grau da doença). Os pacientes começam apresentando perda de memória recente (não conseguem se lembrar de coisas que aconteceram pela manhã ou no dia anterior), mas a doença pode evoluir para confusão mental, perda de memórias antigas e alterações de humor, entre outras coisas. A estimativa é que mais de 26 milhões de pessoas sofram com Alzheimer no mundo. E com o progressivo envelhecimento da população, é de se esperar que esse número aumente ainda mais. A causa da doença ainda é envolta em dúvidas e grupos de cientistas de todo o mundo pesquisam para buscar respostas e novos tratamentos, e quem sabe, a cura. Sabe-se hoje que uma proteína (chamada beta-amiloide) produzida pelos neurônios acaba se acumulando o cérebro e que isso pode acabar causando a morte dos neurônios e os progressivos problemas mentais. Porém, os modelos experim...

Poderemos regular o quanto nossas células vão viver?

Hoje vou falar de novo sobre envelhecimento. Existem várias hipóteses para explicar o envelhecimento. Já falei sobre os danos causados pelos radicais livres e sobre genes saltadores que pode interromper a atividade de genes importantes. Agora vou falar sobre a vida útil das nossas células. Nossas células não vivem para sempre. Elas são capazes de se dividir um determinado número de vezes (que pode variar de acordo com o tipo celular) e depois, simplesmente ficam velhas e morrem. Esse fato diminui a capacidade do organismo idoso de repor as células velhas com células novas, e causariam o envelhecimento. Mas por que as células não vivem para sempre? A resposta está nos nossos cromossomos (nas pontas deles para ser exato). Nosso DNA é organizado em longas fitas, os cromossomos. E como toda fita, por mais longa que seja, tem duas pontas, onde o DNA termina. Cada vez que uma célula vai se dividir, ela tem que duplicar todo o seu DNA, já que cada célula-filha precisa receber uma có...

Sala de cinema da Torre: O Óleo de Lorenzo

Hoje estou estreando uma nova sessão do blog: a Sala de Cinema da Torre! Aqui eu vou comentar alguns filmes cujo enredo aborde temas científicos ou filmes que usem besteiras científicas absurdas. Espero que vocês gostem! Para começar, escolhi um filme que vi no ano passado para citar em uma das minhas aulas na disciplina Bases Moleculares das Doenças Metabólicas no curso de Farmácia. E o filme é incrível tanto como drama quanto como ciência. “O Óleo de Lorenzo” foi lançado em 1992, com direção de George Miller. O elenco conta com a participação de Susan Sarandon (indicada ao Oscar pela atuação), Nick Nolte, Peter Ustinov e Aaron Jackson. E o roteiro original (indicado ao Oscar) foi escrito por George Miller e Nick Enright. O filme conta a história do casal Augusto e Michaela Odone e sua luta contra a doença de seu filho Lorenzo. Lorenzo foi diagnosticado com adrenoleucodistrofia quando tinha seis anos de idade. A adrenoleucodistrofia é uma rara doença genética que atinge um em c...