segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Socializar diminui o estresse?



Frequentemente, quando se trata de saúde, o papel de interações sociais é pouco estudado. No senso comum, vemos alguma conexão. Quando estamos muito estressados na vida profissional, pessoal ou afetiva, nada melhor que socializar com os amigos, certo? Sentimo-nos melhores, mais dispostos, menos estressados. Mas o que a ciência diz sobre isso?

Em setembro deste ano, uma colaboração de cientistas dos Estados Unidos, Alemanha, Uganda e Suiça demonstraram em macacos, que relações sociais afetivas atenuam tanto o estresse agudo (seu chefe pediu um relatório pra ontem, bem estressante!) quanto o estresse rotineiro. Macacos possuem relações sociais características, demonstradas por compartilhamento de comida, defesa quando um membro do seu grupo está em perigo e outros sinais de cooperação que se assemelham a relações sociais humanas, permitindo a criação de certo paralelo.

Já é sabido que nosso organismo é capaz de perceber estímulos, como situações de estresse (físico, social, psicológico), interpretar esse estímulo e gerar uma resposta através da liberação de diversos hormônios, dentre eles o cortisol. Este hormônio é conhecido por ser o ‘’hormônio do estresse’’, visto que sua liberação é aumentada em situações estressantes, e ele é o principal responsável por alguns dos sintomas associados ao estresse, como má qualidade do sono e baixa da imunidade.

Chimpanzés silvestres de uma comunidade da Uganda foram observados durante um ano, em fases distintas: Situação controle, onde o animal apenas dormia ou descansava em um lugar, parado; Situação rotineira, onde eles exerciam uma atividade comum para eles, no caso coçar/limpar outro macaco; e uma Situação de estresse agudo, onde grupos de chimpanzés rivais se encontravam e disputavam território. Durante essas 3 situações, animais foram divididos em 2 grupos: Chimpanzés que não socializavam com outros animais, e chimpanzés que interagiam socialmente de maneira positiva com outros chimpanzés. Os níveis de ‘’estresse’’ destes animais foi medido através da análise de cortisol na urina. Interessantemente, a relação social positiva foi capaz de reduzir os níveis de cortisol tanto durante estresse agudo quanto na rotina.

Níveis aumentados de cortisol cronicamente estão correlacionados com desenvolvimento de câncer, doenças cardiovasculares e depressão. Ao observarem que socializar constantemente promove o controle dos níveis de cortisol no organismo, os pesquisadores propõe que essa pode passar a ser uma recomendação de saúde pública caso os dados sejam confirmados em seres humanos. Agora já tem desculpa pra ir encontrar seus amigos: ser mentalmente e fisicamente mais saudável por diminuir o estresse!


Wittig, R.M. et. al., Social support reduces stress hormone levels in wild chimpanzees across stressful events and everyday affiliations, Nature Communications, 2016

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