sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

Se preparando para a próxima pandemia de gripe: novo alvo para tratamento


Hoje a zika ocupa todos os noticiários da mídia na parte de ciência e tecnologia, mas há alguns anos atrás o mundo todo estava preocupado com uma possível nova epidemia mundial causada por um vírus causador da gripe. Surtos de gripe suína e gripe aviária na Ásia deixaram os serviços de saúde preparados para o pior, e aumentou o medo de que uma tragédia como a da gripe espanhola de 1918 se repetisse. Essa pandemia infectou metade da população mundial e matou cerca de 40 milhões de pessoas em dois anos. E como os vírus da gripe apresentam uma alta taxa de mutação, mudando constantemente sua letalidade e capacidade de contaminação, não se pode excluir a possibilidade de uma nova pandemia ocorrer.

Assim, diversos grupos de cientistas pelo mundo estudam com afinco diferentes vírus da gripe, de forma a buscar entender como a doença pode ser fatal e como podemos melhorar o tratamento. No ano passado, pesquisadores de Singapura publicaram a sua pesquisa desvendando parte do processo de como a gripe causa dados graves nos pulmões e pode levar a morte. Nesse trabalho, os cientistas infectaram camundongos com um vírus do grupo H1N1 (relacionado com o que causou a epidemia de 1918) e analisaram a atividade de diversos genes nos pulmões dos animais. Eles observaram um gene específico (chamado ANGPTL4) estava muito mais ativo do que os animais saudáveis. A função desse gene ainda não é bem conhecida, mas ele parece participar de diversos processos, como o de cicatrização.

Os pesquisadores então trataram os camundongos com gripe com um anticorpo contra a ANGPTL4. Um anticorpo se liga fortemente ao seu alvo e pode impedir a função dele. Assim, a ideia era bloquear a ação da proteína ANGPTL4 e avaliar o seu papel durante a doença. Os cientistas observaram que o bloqueio da proteína reduziu os danos nos pulmões causados pela gripe e acelerou o processo de recuperação do órgão. Camundongos modificados geneticamente de modo a não ter o gene ANGPTL4 eram mais resistentes à gripe e seus pulmões se recuperavam mais rápido, reforçando a hipótese de que a atividade desse gene, aumentada durante a doença, é um fator importante no agravamento da gripe.

Os cientistas também analisaram amostra de pulmão de pessoas gripadas e observaram que o mesmo gene estava mais ativo, mostrando que os resultados obtidos em camundongos podem ser extrapolados para ser humanos.

Os pesquisadores ainda não sabem ao certo porque o gene é importante para o desenvolvimento da doença, mas ele vai poder ser usado para diagnosticar pessoas com potencial para ter uma gripe mais grave. Além disso, será possível buscar tratamentos que impeçam a atividade desse gene, de forma a ajudar na recuperação de doentes graves.

Referência
 
LI, L. et al. Angiopoietin-like 4 Increases Pulmonary Tissue Leakiness and Damage during Influenza Pneumonia. Cell reports, v. 10, n. 5, p. 654–663, 2015.

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