terça-feira, 22 de março de 2016

Agora eu fiquei doce... Para o mosquito??!?



Como parasitos conseguem se perpetuar? Pense na Malária, doença que recebe pouca atenção porque afeta principalmente países tropicais da América do Sul e da África. Essa doença é causada pelo parasito Plasmodium spp, um protozoário. Esse parasito necessita de dois hospedeiros (seres vivos) para completar seu ciclo de vida: um invertebrado (fêmeas do mosquito Anopheles) e um vertebrado mamífero (nós, seres humanos, por exemplo!). A reprodução do Plasmodium, especificamente, ocorre no inseto, e sua maturação no hospedeiro vertebrado. Mas como fazer com que a forma pronta para reproduzir seja captada pelo mosquito durante a picada?

Cientistas suíços e norte-americanos descobriram que um mecanismo é pelo cheiro! Sim, o parasito da malária te deixa mais ‘’cheiroso’’ para o mosquito. Camundongos infectados com Plasmodium chabaudii, que causa malária em roedores (mas não na gente), são mais atrativos para mosquitos do gênero Anopheles após aproximadamente 10 dias depois da infecção quando comparados a camundongos saudáveis. Mais interessante ainda, é que é em aproximadamente 10 dias depois da infecção que se observou maior presença de gametócitos, fase de vida do parasito que está comprometida com a reprodução, e deve ser ingerida pelo mosquito para que o ciclo da doença se complete.

Essa preferência se da principalmente pela emissão de compostos voláteis (ou seja, compostos que evaporam com muita facilidade), seja aumentando substâncias que atraem ou diminuindo as que repelem o mosquito. Eles confirmaram ainda que a aplicação de certos compostos específicos é capaz de ‘’imitar’’ a situação de infecção.

Os autores discutem que essa evidência demonstra um papel do parasito em modular o comportamento alimentar do mosquito, selecionando indivíduos infectados para facilitar a propagação do próprio parasito. Isso tem implicações, principalmente na prevenção das doenças. Uma vez que esses compostos forem identificados, será possível trabalhar na criação de novos repelentes que sejam eficazes em diminuir o apetite do mosquito.

Será que isso poderia estar ocorrendo também no caso de vírus, como Dengue e Zika? Isso, apenas a ciência dirá. E, tomara, quem sabe, bem em breve.

Referência:

De Moraes C.M. et. al., Malaria-induced changes in host odors enhance mosquito attraction, PNAS, 111 (30), 11079-11084, 2014.

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