quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Sala de cinema da torre: O Jogo da Imitação


Esse é o melhor filme sobre a vida de um cientista que eu vi nos últimos anos e que junta duas coisas que muito me interessam: ciência e a Segunda Guerra Mundial! “O Jogo da Imitação” foi estrelado por Benedict Cumberbatch, no papel de Alan Turing, Keira Knightley, que dá vida à Joan Clarke, e Matthew Goode, que interpreta Conel Hugh O'Donel Alexander. Os três personagens foram criptoanalistas (pessoas especializadas em decifrar códigos) a serviço da Inglaterra e que tiveram papel fundamental na Segunda Guerra Mundial. O filme foi escrito por Graham Moore, com base no livro “Alan Turing: The Enigma”, de Andrew Hodges, e ganhou o Oscar de Melhor Roteiro Adaptado esse ano. E Morten Tyldum foi o diretor.

O filme é uma espécie de biografia do matemático Alan Turing, mas que tem como foco principal o seu trabalho em Bletchley Park, onde ele se dedicou a decifrar as comunicações nazistas criptografadas com a máquina Enigma. Essa máquina funcionava como uma espécie de máquina de escrever capaz de “trocar” as letras quando digitadas, através de uma série de rotores. Quando posicionados corretamente (de acordo como a mensagem foi originalmente digitada), o código era decifrado. Com a quantidade de rotores da máquina, a Enigma tinha aproximadamente 159 quintilhões de soluções possíveis, tornando impossível quebrar o código manualmente. Para piorar, os nazistas trocavam a posição dos rotores a cada 24 horas, mudando o código todos os dias.

Turing e sua equipe construíram uma máquina eletromagnética capaz de processar as informações das mensagens codificadas e testar as quase infinitas possibilidades de posicionamentos dos rotores da Enigma muito mais rápido que manualmente. Essa máquina era um computador rudimentar e tem importância fundamental no início ciência computacional. A máquina decifradora da Enigma de Turing revelou informações essenciais da estratégia de guerra nazista e foi importante nos rumos de diversas batalhas na década de 1940. Especialistas calculam que Turing e sua equipe reduziram o tempo da Segunda Guerra Mundial em pelo menos dois anos.

Mas além de mostrar o lado cientista e gênio de Turing, o filme também aborda seu lado humano, com seus problemas de relacionamento com a equipe, dificuldade em receber ordens de superiores em um tempo de guerra e os empecilhos enfrentados por ser homossexual. Depois da guerra, Turing foi condenado por indecência devido a relacionamento com outro homem, e foi obrigado a receber um tratamento hormonal para reduzir sua libido (um exemplo dos absurdos da sociedade inglesa na década de 1950). Em 2013, a rainha Elizabeth II concedeu perdão póstumo a Turing, depois de grande pressão popular. 
 
Excelente filme a ver visto, e está disponível no catálogo brasileiro do Netflix! Acho, inclusive, que vou rever hoje...

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