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Antibióticos engordam?

A associação parece absurda, mas é uma nova hipótese para explicar, pelo menos em parte, a epidemia de obesidade no mundo ocidental. Trinta por cento da população dos Estados Unidos está obesa. A projeção para o futuro da população brasileira é de que, se nada for feito, 95 % das pessoas estejam acima do peso em 2050; e os gastos com saúde para tratar doenças associadas ao excesso de peso, como diabetes, pressão alta e problemas de coração, podem chegar a 330 bilhões de dólares em 40 anos!!! OK, mas o que os antibióticos têm a ver com isso? Os antibióticos são muito usados na criação de animais para consumo de carne, principalmente frangos e porcos. Um dos motivos é o seguinte: como esses animais são criados em uma densidade alta (ou seja, muitos bichos em um pequeno espaço), a chance de alguma doença causada por bactéria se espalhar pela fazenda é grande. Assim, baixas doses de antibióticos são usadas de rotina na criação para evitar o problema. Um problema dessa prática é a chance d...

É melhor prevenir do que remediar!

Não existe ninguém que nunca tenha ouvido essa frase; e também acho que não existe ninguém que não concorde com ela. Na área da saúde, prevenir é de fato melhor para todo mundo: para o paciente, que não chega a ficar doente, e para os cofres públicos, já que reduz os gastos com tratamento. Existem vários marcadores que podem ser medidos por exames de laboratório que ajudam na detecção de doenças. Por exemplo, os níveis de glicose no sangue podem indicar diabetes e o colesterol alto é um fator de risco para doenças do coração. Mas a maioria desses marcadores só aparece quando a doença já existe e, assim, são marcadores para diagnóstico, e não de prevenção, e são específicos para cada doença, o que obriga os médicos a passarem uma bateria de exames para cada paciente no check-up para tentar descobrir algo errado. O ideal seria encontrar alguns marcadores de fácil obtenção (como no sangue ou urina) e que indicassem qualquer tipo de risco. Esse foi o objetivo do trabalho publicado em Fev...

Banho de água fria nas células-tronco

Haruko Obokata (Fonte: ajw.asahi.com) O mundo científico pode ser muito competitivo. Dependo da área de estudo e do volume de dinheiro envolvido, você pode esquecer a ideia de colaboração entre grupos de pesquisa “rivais”. Quando uma pesquisa pode levar a criação de um novo medicamento, uma nova técnica de diagnóstico para doenças ou patentes importantes, é cada um por si. Por exemplo, eu incluiria câncer, AIDS, terapia gênica (que consiste em adicionar genes novos a uma célula para tentar curar uma doença) e células-tronco no grupo de áreas competitivas. E todos os cientistas são humanos, e não santos; e, como humanos, alguns não têm escrúpulos. É cada vez maior o número de fraudes descobertas em diferentes pesquisas científicas, que incluem falsificação e duplicação de resultados, além de plágio. E, é claro, quando mais competitiva e quando mais dinheiro presente, mais as pessoas são tentadas a tentar enganar (a Torre de Marfim não é muito diferente do Resto do Mundo). Esse tipo...

Computadores contra o câncer

Se você não matou suas aulas de biologia na escola, já deve ter ouvido algo sobre o RNA, o filho do DNA, só que bem menos famoso que o pai. O RNA é produzido diretamente como uma cópia do DNA e inicialmente se pensava que ele só tinha funções na produção de proteínas nas células. O RNA possui o código genético (que veio do DNA) para a produção das proteínas, além de participar diretamente da síntese dessas, fazendo parte das estruturas celulares que constroem as proteínas e fornecendo os aminoácidos que são usados para a produção. Porém, nos últimos anos, a Ciência vem descobrindo que o RNA pode ter várias outras funções. Eles podem regular processos das células e ligar ou desligar diferentes genes. Diversos RNAs envolvidos com doenças como câncer, diabetes e obesidade já foram identificados. Agora cientistas pelo mundo afora procuram drogas que possam agir sobre esses RNAs para tentar combater essas doenças. Mas não é fácil. Um importante passo foi dado por pesquisadores americanos, ...

Mais oxitocina, por favor!

Amor = oxitocina? (Fonte: www.fakefake.com.br )   Possivelmente, você já ouviu falar ou leu em algum lugar sobre o “hormônio do amor”, a oxitocina. Tema bom para o Valentine’s Day , que passou não tem muito tempo. Uma busca rápida no Google trás um monte de notícias relatando os mais variados efeitos da oxitocina, como estimular a moral no indivíduo, aumentar a empatia e diminuir a agressividade entre as pessoas e manter a monogamia dos casais (e fazer com que os maridos achem suas esposas mais atraentes). A verdadeira Droga do Amor do Pedro Bandeira. A oxitocina também melhora a atividade cerebral de autistas e um abraço de 20 segundos estimula o cérebro a produzir o hormônio. Mais recentemente, a mídia tem divulgado que a oxitocina também pode ter um lado negro: ela estaria envolvida com o medo e a ansiedade depois de momentos estressantes. Mas, tentando separar o joio do trigo, o que é verdadeiramente científico nessa história, já que tudo que fica muito badalado acaba vi...

Aubrey de Grey: desafiando a morte ou a minha inteligência?

Essa semana, eu cruzei com essa figura na Internet: Dr. Aubrey de Grey . Excêntrico é um adjetivo que facilmente me vem à cabeça para defini-lo. Dr. de Grey é o fundador da “ SENS Research Foundation ”, uma fundação para financiar pesquisas na área do que ele chama de “SENS”, que é a sigla em inglês para algo como “estratégias para programar um envelhecimento mínimo”. A ideia da fundação é investir em pesquisas sobre o envelhecimento que não são financiadas nem pela indústria farmacêutica, nem pelos governos. Por quê? A indústria só vai investir em pesquisas de baixo risco e com grande potencial de lucro. E o financiamento público é voltado para pesquisas mais básicas, às vezes sem uma aplicação comercial direta. A SENS Research Foundation tenta ocupar o lugar entre as duas. O Dr. de Grey acredita que o envelhecimento é uma doença (e que assim pode ser prevenida e curada como tal) que tem apenas sete causas básicas, entre elas mutações do DNA, agregados de proteínas e células cancero...

Meu novo bicho bizarro favorito (e seu olho complexo)

Olha o ornitorrinco! (Fonte: zigimoveis.blogspot.com) Colorido é pouco! (Fonte: mikecann.co.uk) Essa é meio verde, meio azul (Fonte: www.chicagonow.com ) Pense em um bicho estranho? Eu sempre pensava imediatamente no ornitorrinco, que era meu animal bizarro favorito. Um mamífero que não tem mamas (e o leite escorre pelos pelos, que filhotes lambem), bota ovo, tem um focinho em forma de bico de pato e, ainda por cima, é venenoso. Faz jus ao título, não? Mas, essa semana, descobri uns outros bichos bem estranhos, chamados de estomatópodes. Não é só o nome que é estranho. Os animais que fazem parte desse grupo são crustáceos, próximos dos camarões e lagostas. Algumas espécies são chamadas de lagostas-boxeadoras; vocês vão ver porquê. Mas o quê esses bichos têm de estranho? Bem, para começar eles exageram na capacidade de serem coloridos, como vocês podem ver nas fotos. Depois, alguns são chamados lagostas-boxeadoras pela capacidade de socar com seu grande par de patas dian...