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Mostrando postagens com o rótulo Microbiota

[Chute do Nobel T3E1] Rob Knight e avanços na compreensão do microbioma humano

O microbioma humano é uma das áreas de estudo mais promissoras da fisiologia e da medicina das últimas décadas. A compreensão de que o corpo humano é formado por uma complexa comunidade de microrganismos, incluindo bactérias, arqueias, vírus e fungos e que aspectos dessa comunidade microbiana, como sua composição e interações, regulam diversos processos, tanto fisiológicos quanto patológicos, é de fato algo revolucionário. Sendo assim, pesquisas acerca desta temática são fortes concorrentes à nomeação ao prêmio Nobel. Um dos principais indicativos para a minha escolha desta área foram: o precedente histórico, como a nomeação de Robin Warren e Barry Marshall em 2005 pela descoberta da Helicobacter pylori (Nobel Prize, 2023); os avanços tecnológicos e científicos que sucederam nos anos seguintes, expandindo a relevância do tema; e a lista de possíveis laureados liberada pela empresa Clarivate (Pendlebury 2023), uma empresa de análise de dados que investiga potenciais candidatos ao prêmi...

[Chute do Nobel T2E5] Quem vai ganhar o Nobel esse ano?

Minha aposta para esse ano é o pesquisador, médico e microbiólogo norte americano Jeffrey Ivan Gordon que é um estudioso sobre o microbioma humano e com uma grande contribuição sobre a saúde intestinal e doenças que nos atingem. Durante muito tempo acreditava-se que o único papel do intestino era fazer parte da digestão de alimentos e absorção de alguns nutrientes, porém isso mudou: é cada vez maior o número de estudos científicos com evidências confiáveis que mostram a importância desse órgão na prevenção de diversas doenças, desde obesidade até problemas no sistema endócrino. O microbioma é um conjunto de micro-organismos de determinado ambiente (nesse caso falamos do intestino humano) que vivem em harmonia quando não ocorre nenhum desiquilíbrio, e desempenha um papel fundamental na homeostase do organismo. Essas bactérias estão em conjunto no intestino e em mutualismo, mas podendo também ser maléficas às pessoas, constituindo uma relação patogênica. E chamamos de microbiotas o conju...

[Blogue do Matheus] A importância da microbiota humana

Os famosos micróbios Os micro-organismos, ou micróbios como são popularmente conhecidos, são seres que habitam a Terra há, pelo menos, 3,9 bilhões de anos. Eles são responsáveis por terem modificado as condições da atmosfera quando o planeta era primitivo, permitindo o surgimento de novos organismos. Dentre os micróbios podemos citar as bactérias, algumas algas unicelulares e os protozoários. Eles podem ser encontrados nos mais diversos lugares: desde ambientes que não são habitáveis pelos seres humanos até mesmo na atmosfera. Muito se é debatido sobre como os micróbios são capazes de causar doenças no corpo humano, mas é importante expor a funcionalidade benéfica que os mesmos têm no nosso cotidiano: eles são os principais decompositores da matéria orgânica, e ajudam as árvores a capturarem o nitrogênio presente na atmosfera, por exemplo. Eles podem, ainda, viver uma relação simbiótica, ou seja, tanto os micróbios quanto o organismo que está sendo colonizado são beneficiados dessa rel...

[Chute do Nobel T1E1] A microbiota intestinal a caminho do Prêmio Nobel 2019

Em uma simples pesquisa nos principais buscadores disponíveis na internet sobre microbiota intestinal já é possível identificar suas inúmeras relações com as principais doenças que assolam a humanidade, como a obesidade, diabetes, distúrbios neuropsiquiátricos e o câncer. Em outros tempos chamada de flora intestinal, a microbiota foi caracterizada como um conjunto de microorganismos benéficos (ou seja, não relacionados ao desenvolvimento de doenças) que residem no intestino de hospedeiros humanos e outros animais. Durante muitos anos, muitas pesquisas foram elaboradas para descrever as inúmeras benfeitorias aos seres humanos, como o auxílio na metabolização dos alimentos, proteção contra substâncias potencialmente perigosas, auxílio na absorção dos nutrientes e com melhorias na imunidade. Diante de tamanha importância fisiológica, um forte candidato a receber o Prêmio Nobel em 2019 é o pesquisador médico e microbiólogo norte-americano Jeffrey Ivan Gordon, pioneiro nos estudos do mic...

Torre Móvel T1E5: Microbiota: consequências de seu desequilíbrio e aplicações

Você sabia que todas as bactérias presentes no corpo de um adulto juntas pesam em média 2 kg e que o número de micróbios em nosso organismo é aproximadamente 10 vezes maior do que o de células? Isso significa dizer que, em relação ao número de células, somos 90 % micróbios e apenas 10 % “humanos”. Toda essa grande quantidade de seres microbianos que abrigamos em nosso corpo é o que chamamos de microbiota. Mas com a visão ruim que temos de bactérias e microrganismos em geral, você deve estar se perguntando: ué, mas eles não me fazem mal? Por incrível que pareça, muitos desses microrganismos não nos fazem mal. Na verdade, até são bons para nosso organismo, pois nos ajudam em variadas funções como na digestão, na produção e eliminação de vitaminas e na promoção do desenvolvimento de tecidos do corpo, além de auxiliarem nosso sistema de defesa. Os variados papéis que a microbiota exerce no nosso organismo fazem com que ela seja muito importante para o bom funcionamento dele. Portan...

A nossa corrida armamentista contra os microrganismos

“Agora, aqui, é preciso toda velocidade que você possa correr para ficar no mesmo lugar” (Alice através do espelho) Aproveitando que o filme de Tim Burton ainda deve estar em cartaz, selecionei para essa semana um artigo que fala de um conceito bastante discutido em biologia, mas pouco conhecido do público em geral (pelo menos das pessoas com quem já conversei sobre isso). A passagem que abre esse post, retirada do livro de Lewis Carroll, é a base da “Hipótese da Rainha Vermelha” (Red Queen Hypothesis), inicialmente usada em ecologia, mas com aplicações em diversas outras áreas 1 . Em uma de suas aplicações, essa ideia é usada para descrever as relações entre presas e predadores. Segundo essa linha, predadores desenvolvem estratégias para seu sucesso na captura da presa, enquanto a presa, por sua vez, desenvolve meios de fugir da investida do predador. Essa adaptação da presa, então, exige que o predador desenvolva novos meios, mais sofisticados, de caça, o que força, mais um...

Os micróbios que nos deixam gordos e como eles fazem isso

Pode parecer novidade para a maioria das pessoas, mas faz algum tempo que se mostrou que as bactérias no nosso intestino, a chamada microbiota , contribui para o ganho de peso e a obesidade 1 . Na verdade, o que parece é que as bactérias que vivem no nosso intestino nos ajudaram ao longo da história a retirar o máximo de energia dos alimentos 2 . E isso foi bom por muito tempo, quando a oferta de comida não era tão grande e os seres humanos precisavam coletar e caçar para comer. Atualmente, a oferta de alimento é imensa, mas nosso corpo - e os microrganismos que nele habitam - ainda se comporta como se estivéssemos na idade da pedra. Com isso, muitos de nós engordamos e nossa microbiota tem uma parcela razoável de culpa. Estudos de pouco mais de dez anos atrás mostram que há uma diferença clara nos tipos de bactérias encontradas no intestino de pessoas magras e obesas 3 . Mais que isso, a transferência do conteúdo intestinal de uma pessoa magra para uma pessoa obesa, melhora o...

Beijo de língua é cientificamente nojento!

O Dia dos Namorados foi na semana passada e vários casais apaixonados passaram a noite de sexta-feira juntos. Quem estava solteiro, aproveitou que era sexta para tentar se arranjar. Mas o fato é: um casal troca oito milhões de bactérias por segundo entre as suas línguas durante um beijo íntimo. Essa é uma das conclusões de um estudo publicado por cientistas holandeses (KORT et al., 2014). Mas por que esses pesquisadores foram estudar as bactérias da boca dos casais? A ideia era estudar a microbiota, ou seja, o conjunto de bactérias presente nas bocas das pessoas e saber se a microbiota oral de casais que se beijam com mais frequência é mais parecida entre si o que em casais, digamos, não tão apaixonados. As bactérias da boca podem ser importantes para a saúde oral, e ter influência sobre os dentes, por exemplo. Além disso, o beijo (e a troca de saliva e microbiota) pode ter tido papel importante no desenvolvimento do comportamento de corte dos seres humanos, já que s...

As bactérias da sua barriga podem fazer você comer mais chocolate?

Fonte: hypescience.com A forma como a gente escolhe o que vai comer tem grande influência sobre o nosso peso, e assim é ponto importante para se evitar a obesidade e todos os problemas de saúde que ela traz junto, como pressão, colesterol e glicose altos. Já escrevi aqui que isso pode ter um fundo genético. Mas, ao que parece, as bactérias que você carrega de carona na barriga (sua microbiota intestinal) podem estar manipulando seu corpo e te fazendo comer o que elas querem, na hora que elas querem. E isso nem sempre é o mais saudável para você. Essa disputa entre a microbiota intestinal e você na hora que escolher o almoço no cardápio vem sendo estudada recentemente. E força de vontade para não comer no Burger King pode não ser suficiente! A sua microbiota é composta de uma grande diversidade de bactérias, onde cada tipo de bactérias cresce melhor com diferentes tipos de alimentos que você come. Se alguma dessas bactérias pudesse produzir um tipo de substância qu...

Antibióticos engordam?

A associação parece absurda, mas é uma nova hipótese para explicar, pelo menos em parte, a epidemia de obesidade no mundo ocidental. Trinta por cento da população dos Estados Unidos está obesa. A projeção para o futuro da população brasileira é de que, se nada for feito, 95 % das pessoas estejam acima do peso em 2050; e os gastos com saúde para tratar doenças associadas ao excesso de peso, como diabetes, pressão alta e problemas de coração, podem chegar a 330 bilhões de dólares em 40 anos!!! OK, mas o que os antibióticos têm a ver com isso? Os antibióticos são muito usados na criação de animais para consumo de carne, principalmente frangos e porcos. Um dos motivos é o seguinte: como esses animais são criados em uma densidade alta (ou seja, muitos bichos em um pequeno espaço), a chance de alguma doença causada por bactéria se espalhar pela fazenda é grande. Assim, baixas doses de antibióticos são usadas de rotina na criação para evitar o problema. Um problema dessa prática é a chance d...