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[Chute do Nobel T4E6] Análogos de GLP-1: Muito mais que um tratamento para diabetes, um provável candidato ao Nobel

 


Você sabia que o Prêmio Nobel recebe esse nome porque a premiação foi idealizada pelo inventor Alfred Nobel, que após o seu falecimento em 1985, declarou em testamento que quase toda sua fortuna deveria ser destinada para recompensar grandes benefícios à humanidade? As premiações passaram a ser concedidas a partir de 1901, atualmente contemplando seis categorias: Paz, Literatura, Economia, Física, Química, Fisiologia ou Medicina. Em 2026, a premiação ocorrerá entre os dias 5 e 12 de outubro, gerando especulações sobre vencedores. Em relação ao Prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina, uma descoberta que pode ser consagrada no ano atual é a das “substâncias análogas ao hormônio GLP-1”, mas do que se trata essa descoberta?

O GLP-1 (Peptídeo Semelhante ao Glucagon-1) é um hormônio produzido principalmente no intestino que pode se ligar em receptores presentes em várias regiões do corpo, como pâncreas, trato gastrointestinal e cérebro. Apesar da estrutura similar ao glucagon, suas funções são distintas. Enquanto o glucagon estimula liberação de açúcar no sangue, ao se ligar em seus receptores, o GLP-1 é capaz de aumentar a secreção de insulina, reduzindo açúcar no sangue, além de suprimir a liberação do próprio glucagon, retardar a digestão e aumentar a saciedade. Com base nisso, o GLP-1 e seus receptores foram estudados para tratar a diabetes tipo 2, pelo menos inicialmente. É nesse contexto que as substâncias análogas a esse hormônio foram desenvolvidas!

Mas antes disso, diversos trabalhos ao longo de várias décadas foram importantes. O ponto de partida pode ser considerado a descoberta do primeiro hormônio, a secretina, por William Bayliss e Ernest Starling em 1902, um ano após o primeiro Prêmio Nobel. Os autores descobriram que a substância produzida no intestino estimula secreção no pâncreas, quando ainda se acreditava que toda secreção era controlada exclusivamente pelo cérebro. Muitas descobertas depois, na década de 1980, esforços colaborativos entre Svetlana Mosjov e Joel Habener resultaram na descoberta do GLP-1 e de suas funções. Contudo, propostas terapêuticas foram limitadas após a descoberta de sua meia-vida extremamente curta.

Assim, os análogos de GLP-1, substâncias similares ao hormônio e capazes de desencadear seus efeitos, são desenvolvidos e estudados a partir da década de 1990 até a aprovação do primeiro medicamento para tratar a diabetes tipo 2 nos anos 2000. Nesse cenário, outro análogo de GLP-1 posteriormente desenvolvido foi a semaglutida, cuja aprovação foi em 2017, com administrações semanais para reduzir os níveis de açúcar no sangue. O medicamento se popularizou como “Ozempic” e durante o seu desenvolvimento para tratar a diabetes, foi observado que era capaz também de inibir o apetite e atrasar a digestão, promovendo saciedade e perda de peso, efeitos que não eram inesperados. Contudo, esses efeitos que não correspondiam ao seu objetivo principal se demonstraram muito potentes, sendo comparados posteriormente aos efeitos de cirurgias bariátricas. Sendo assim, seu uso foi expandido para tratar também a obesidade, sendo muito bem sucedido.

Outros análogos de GLP-1 considerados mais eficientes foram desenvolvidos, como a tirzepatida, popularizada como “Mounjaro”. Ademais, estudos têm correlacionado os análogos de GLP-1 com efeitos cardioprotetores, neuroprotetores, antimicrobianos e até com menor incidência de alguns tipos de cânceres, evidenciando o amplo potencial proporcionado. Com base nisso tudo, uma pesquisadora que têm liderado parte importante das pesquisas em GLP-1 e semaglutida foi a dinamarquesa Lotte Bjerre Knudsen, já tendo sido prestigiada por diversos prêmios pelas terapias baseadas em GLP-1. Por todas as contribuições decorridas e que ainda devem decorrer dos seus trabalhos, é possível apostar na norueguesa como uma provável vencedora do Prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina de 2026, que deve ser dividido com mais cientistas!

Referências




Esse texto foi escrito por João Arthur Silva Cunha, aluno de doutorado do Programa de Pós-Graduação em Biociências da Universidade do Estado do Rio de Janeiro como parte da avaliação da disciplina "Prêmios Nobel em Biociências", coordenada pelo professor David Majerowicz.

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