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Mostrando postagens com o rótulo Genética

[Chute do Nobel T3E7]

Na próxima segunda, dia 02, o mundo inteiro irá conhecer os contemplados com o prêmio Nobel de Medicina ou Fisiologia. O prêmio é concedido por instituições suecas e norueguesas, para reconhecer e celebrar pessoas que fizeram nos últimos anos contribuições, pesquisas e descobertas importantes para a humanidade nos últimos anos. Os laureados com o prêmio esse ano receberão um total de 11 milhões de coroas suecas. Como a fundação Nobel não divulga os cientistas cotados para ganhar o prêmio e só anuncia o ganhador, o que resta a todos nós é especular o possível ganhador ou ganhadora fazendo nossas apostas com base nas pesquisas dos últimos anos que julgamos importantes. A minha aposta esse ano vai para a cientista brasileira Jaqueline Goes de Jesus, por sequenciar o genoma do primeiro SARS-CoV-2 circulante na América Latina apenas 48 horas após a confirmação do primeiro caso no Brasil, o que foi um importante feito por ela e seu grupo conseguirem sequenciar o genoma desse vírus com tamanh...

[Chute do Nobel T2E8] Mary-Claire King

Dra. King possui uma vasta contribuição para a ciência e genética. Seu projeto mais famoso foi sobre a descoberta do gene BRCA1. Entretanto, trabalhou como geneticista em diversos projetos que impactaram muito a sociedade, como a busca pelas crianças desaparecidas da Argentina (“As avós das Praças de Maio”), estudo sobre a crescente surdez de crianças no oriente médio, etc (Ela explica todos os projetos nesse vídeo ). Sua pesquisa sobre câncer de mama e ovário iniciou-se devido a sua inicial formação na área de estatística. Inicialmente, propôs modelos de regressão e análise de cluster para sustentar a hipótese de que mulheres com histórico de câncer de mama na família possuíam mais chances de desenvolver esse tipo de câncer. O contexto da época era a campanha do presidente norte americano, Richard Nixon, “guerra contra o câncer” ( war on cancer ). Nesse momento, havia muitos incentivos para encontrar a cura do câncer e o Instituto Nacional do Câncer estava realizando uma pesquisa pa...

O mau hálito pode ter uma causa..... genética?!?

O mau hálito é um problema conhecido de muitos. Odor (horrivelmente) desagradável que sai da boca de algum indivíduo durante uma conversa ou um beijo, geralmente associado a uma péssima higiene bucal. De fato, a proliferação de bactérias na cavidade oral (gengiva, língua, etc.) pode elevar a produção de alguns produtos do metabolismo bacteriano que contém átomos de enxofre (a letra S na tabela periódica). Esse elemento é bastante lembrado por estar presente no cheiro característico de ovo podre (quem já sentiu, nunca esquecerá). Daí a origem do odor desagradável.            Nada que uma balinha com cheirinho bom ou uma boa higiene bucal não resolvam certo? Não necessariamente. Existem tipos de mau hálito que não são geradas por problemas na higiene bucal, mas sim por possíveis problemas genéticos ainda não descobertos. Bom, não descobertos até agora. Cientistas de diversos lugares da Europa e dos Estados Unidos demonstraram ...

Gastamos a maior parte da nossa energia só para ficarmos vivos

Se você pegar qualquer embalagem de alimento na sua dispensa, vai encontrar uma tabela de valores nutricionais impressa. Indicada com um asterisco, aparece a seguinte frase: “% valores diários de referência com base em uma dieta de 2.000 (ou 2.500) kcal”. Mas de onde surgiu esse valor? O quanto uma pessoa gasta de energia (e assim o quanto de energia precisa ser reposta pela comida) já foi medido em diversos estudos, até se obter um valor médio e geral. Isso pode ser feito de algumas formas. A primeira, mais antiga, era feita através da medida de quanto oxigênio uma pessoa usa. Mas essa forma era um pouco restrita porque a pessoa estudada precisava ficar ligada aos aparelhos de medida no laboratório, o que tornava a medida bem diferente da realidade do mundo lá fora. Mas medida de consumo de oxigênio ainda é bem útil para se medir o gasto de energia no metabolismo basal (ou seja, a energia que gastamos sem fazer nada, apenas vivendo): a pessoa faz um jejum de 12 horas (igual para...

Transgênicos alimentando o mundo

Antes de começar, essa postagem deveria ter saído na semana passada, durante a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia. Mas não deu tempo... Porém, antes tarde do que nunca! Em 1983, os cientistas descobriram como uma bactéria era capaz de transferir seu próprio DNA para o DNA de plantas hospedeiras. Isso foi uma grande revolução na engenharia genética. Alterando o DNA da bactéria, os pesquisadores poderiam fazer mudanças controladas no DNA da planta, facilitando o desenvolvimento de vegetais geneticamente modificados. Passados 30 anos, inúmeras novas tecnologias de modificação genética permitiram a criação de super-plantas, capazes de produzir mais e serem mais nutritivas, resistirem à seca, frio, inundações, ou serem imunes a ataques de pragas. Alguns exemplos: Existe um tipo de batata que foi modificada e recebeu um gene do bredo-vermelho, uma planta ornamental. Esse gene produz uma proteína que não causa alergia e é rica em aminoácidos essenciais (ou seja, aqueles que nós...

Doce para mosquito: tal pai, tal filho

Os insetos usam vários sentidos para andar pelo ambiente onde vivem: a visão, usando seus grandes e complexos olhos compostos, e o tato, sentindo vibrações através das patas, entre outros. Mas talvez o olfato seja o sentido mais importante para esses animais. Uma mariposa macho pode cheirar os feromônios liberados por uma fêmea da mesma espécie a quilômetros de distância. E os insetos que bebem sangue (chamados de hematófagos, incluindo mosquitos, barbeiros e as malditas mutucas que não me deixaram em paz no último final de semana na Chapada dos Veadeiros) acham você para fazer uma boquinha pelo cheiro que você exala. O cheiro que você tem pode mudar devido a muitas alterações no ambiente ou fisiológicas: depois de correr em volta do Maracanã seu cheiro muda (para pior, provavelmente), as bactérias que vivem na sua pele devem ser responsáveis por parte do seu cheiro (e as bactérias variam entre as pessoas), etc... O Rodrigo escreveu aqui sobre um tra...

Não, o óleo canola não é um veneno

Antes de começar, gostaria de dizer que essa postagem é uma resposta a um e-mail que recebi de um leitor, pedindo mais informações sobre o óleo canola. Se você pensa em algum tema que seria interessante de ser discutido aqui no blogue, mande um e-mail para aportademarfim@gmail.com ou deixe um comentário aqui mesmo. Prometo que vou dar prioridade em escrever sobre o que for sugerido. Então, começando... Se você procurar um pouco na Internet, vai encontrar várias postagens em blogues sobre o óleo canola. A maioria delas vai falar que ele é tóxico, que deveria ser proibido e que as pessoas que vendem deveriam ser presas (sim, isso está escrito). Mas, a grande maioria dessas postagens não tem nenhuma referência científica séria como embasamento. Também temos muitas cópias sem nenhum tipo de referência ou agradecimento ao autor original (isso é plágio; você que faz isso é que deveria ser preso). Encontrei apenas uma postagem moderada, que avaliava possíveis benefícios e problemas no ...

Excesso de uma proteína pode está relacionado à esquizofrenia

A esquizofrenia é um transtorno mental que atinge cerca de 1 % da população mundial. A doença tem sintomas graves como alucinações e delírios, problemas de comunicação durante as crises, catatonia e depressão. O tratamento é feito à base de remédios antipsicóticos, mas nos casos mais graves, internações involuntárias podem ser necessárias. Porém, as causas da esquizofrenia ainda são muito pouco conhecidas. Teorias que envolvem psicanálise, bioquímica, neurobiologia e genética se misturam, e é provável que todas estejam certas em determinado grau. Pela parte genética, diversos genes já foram relacionados com a esquizofrenia, entre eles o chamado NOS1AP. Problemas nesse gene foram identificados em pessoas com esquizofrenia familiar no Canadá e na China. Mas como o NOS1AP está envolvido na doença ainda era um mistério e foi o alvo da pesquisa de um grupo de pesquisadores americanos e franceses, publicada no ano passado. Os cientistas usaram técnicas de biologia molecular para alte...

Por que os mosquitos picam as pessoas?

Os insetos que bebem sangue (chamados hematófagos) são responsáveis pela transmissão de diferentes tipos de doenças para os seres humanos. Por exemplo, os barbeiros transmitem a Doença de Chagas, a mosca tsé-tsé transmite a doença do sono na África, os mosquitos do gênero Anopheles transmitem diversos tipos de malária pelo mundo. Nosso mosquito “companheiro” Aedes aegypti é responsável por infectar a população brasileira com vários vírus, como Dengue, Febre Amarela, Chikungunya e o recém-chegado Zika. Mas por que alguns mosquitos preferem picar pessoas e não outros mamíferos? Buscar a resposta para essa pergunta vai além de saciar a curiosidade de um grupo de cientistas; pode revelar uma forma de evitar que os mosquitos nos encontrem e reduzir a transmissão de doenças. Em 1952, pesquisadores descreveram dois tipos de A. aegypti na região de Rabai, Quênia. Os mosquitos com coloração marrom eram domésticos: entravam nas casas, colocavam seus ovos em recipientes com água no in...

Os "genes saltadores" podem ser um dos responsáveis pelo envelhecimento (mas estamos aprendendo a bloqueá-los)

Por que envelhecemos é uma pergunta antiga que a ciência tenta responder a algum tempo. Existem várias hipóteses para tentar explicar porque ficamos velhos (eu já escrevi sobre envelhecimento aqui , aqui e aqui ). Alguns cientistas defendem que os radicais livres naturalmente produzidos pelo nosso corpo vão danificando as estruturas das células com o passar do tempo, envelhecendo o organismo. Outros acham que a capacidade máxima de duplicação das células impede a substituição de células doentes no organismo mais velho, causando envelhecimento. Outros grupos têm outras explicações. Como é comum na Biologia, é provável que a resposta correta seja uma mistura de todas elas. Uma nova hipótese foi proposta recentemente, depois que mais dados científicos foram obtidos. Nela, os cientistas propõem que o envelhecimento seja causado pelo aumento da atividade de retrotransposons. Que raio é isso?!? Retrotransposons são genes que ocupam a maior parte do nosso g...

Biblioteca da Torre – “O que é Evolução”, de Ernst Mayr

O próximo livro que eu vou comentar brevemente aqui também foi escrito por Ernst Mayr, uns dos maiores evolucionistas do século XX (leia aqui na postagem passada da série, um resumo rápido da sua história). “O que é Evolução” foi publicado em 2001, cinco anos após “Isto é Biologia”, e foi a segunda investida de Mayr no campo de divulgação científica. Nesse livro, Mayr está imerso no seu campo, e escreve e traduz muitos conceitos evolutivos de forma simples. Segundo o próprio autor escreveu no prefácio, o livro é dirigido a três tipos de leitores: (1) pessoas conscientes da evolução que estejam interessadas em saber mais sobre ela; (2) pessoas que aceitam a evolução, mas têm dúvidas se a explicação darwinista é a mais correta; e (3) criacionistas que queiram saber sobre o paradigma científico da evolução, mesmo que só para argumentar contra (e Mayr deixa claro que não quer convencê-los sobre a evolução). Embora esse livro seja menos técnico que o anterior, ele ainda pode ser um pouc...

Biblioteca da Torre - “Isto é Biologia: A Ciência do Mundo Vivo”, de Ernst Mayr

Ernst Mayr (Fonte: en.wikipedia.org) Ernst Mary foi um dos maiores evolucionistas da história da Biologia e ator principal da chamada Síntese Neodarwinista do século XX. Biólogo alemão, Mayr se dedicou à ornitologia (estudo das aves) no início da sua carreira, mas suas maiores contribuições foram dadas ao campo da evolução das espécies. Mayr definiu o Conceito Biológico de Espécie, que considera uma espécie não como um grupo de indivíduos similares em sua aparência, mas sim um grupo de seres capazes de se reproduzir entre si, gerando descendentes férteis. Esse conceito de espécie é o mais usado no estudo dos animais e sua evolução. Mayr também desenvolveu estudos sobre como as novas espécies surgem a partir de um ancestral comum e elaborou a teoria da especiação peripátrica, onde pequenos grupos de indivíduos podem ocupar nichos na periferia da área onde a espécie vive, e se isolar e mudar rapidamente com o passar das gerações. Além de tudo isso, Mayr se dedicou a ...

Mais um gene do infarto e do derrame

Fonte: revistavivasaude.uol.com.br Eu já escrevi isso aqui : “os genes carregam a arma, mas o ambiente puxa o gatilho”. Ou seja, tanto os genes que recebemos dos nossos pais quanto o nosso estilo de vida têm influência sobre a maior parte das nossas características (incluindo as doenças metabólicas). Mas é importante descobrir genes que possam estar envolvidos com o surgimento de doenças e entender como eles funcionam, para que pessoas que os carregam possam ser avisadas tratadas de modo precoce. Isso pode evitar, ou pelo menos adiar, o aparecimento dos problemas. Como esse objetivo, pesquisadores do Reino Unido fizeram uma profunda busca na literatura científica e juntaram os resultados de dezenas de trabalhos publicados para verificar a relação entre um gene e o risco do desenvolvimento de infartos e AVCs (que no meu tempo se chamava derrame). O gene em questão codifica a proteína glicoproteína IIIa (abreviada GPIIIa). Essa proteína possui diversas variantes, que...

Aqui só tem macho!

Fonte: oglobo.globo.com A malária é hoje a doença infecciosa que mais mata no mundo; ela mata mais que a AIDS e a tuberculose. Cerca de 700 mil pessoas morrem todos os anos em decorrência da doença, principalmente crianças africanas. A conta é simples: uma criança africana morre de malária por minuto! Porém, a malária deveria ser mais fácil de controlar do que a AIDS e a tuberculose. Enquanto as duas últimas são transmitidas de pessoa para pessoa, a malária é obrigatoriamente transmitida por mosquitos. Isso cria dois pontos para enfrentar a doença: o parasita em si e o mosquito. Mas estamos perdendo a batalha. Os medicamentos para combater a doença são antigos e pouco eficientes. E os mosquitos estão cada vez mais resistentes aos inseticidas usados e outros métodos de controle. É urgente que novas formas sejam desenvolvidas. Nesse ponto, a engenharia genética pode dar uma mão, através da criação de mosquitos transgênicos. Diferentes grupos de pesquisas pelo mundo t...

Dor genética

(Fonte: www.drrobertorocha.com.br) Estudos para determinar se uma doença tem fundo genético em humanos são difíceis de serem realizados, e a interpretação dos resultados tem que ser feita com cuidado. Isso porque é complicado separar o que é influência dos genes do que é efeito do ambiente onde as pessoas vivem. Por exemplo, eu citei estudos sobre a genética da obesidade algumas postagens atrás. Nesse caso, vamos pensar em uma família com excesso de peso. Os pais passaram seus genes para os filhos, mas também os criaram de acordo com os seus hábitos culturais não genéticos. Então, os seus filhos também são obesos por culpa dos genes ou dos hábitos, que podem incluir uma dieta longe de ser balanceada e pouco exercício físico? Provavelmente, os dois. Mas qual é o peso de cada um? Para alguns estudos, o uso de modelos experimentais permite controlar todas as variáveis ambientais e analisar apenas a culpa dos genes. Por exemplo, pesquisas com as mosquinhas drosófilas ...

O “gene” da obesidade?

(Fonte: gastro.com.br) É comum vermos na televisão ou na Internet reportagens divulgando pesquisas científicas que teriam descoberto o gene da obesidade. Isso passa a impressão que o peso do nosso corpo é simplesmente regulado por um único gene, que herdamos dos nossos pais. Mas é fácil perceber que isso não faz sentido. Se a vida fosse simples assim, todo filho de um casal obeso necessariamente seria obeso. Mas eu acredito que você conhece pelo menos um caso que contraria essa regra e derruba a nossa hipótese. Resumindo: não posso colocar a culpa do meu excesso de peso só nos meus genes. Essa frase diz tudo: “os genes carregam a arma, mas o ambiente puxa o gatilho”. Mas, é claro que os genes também têm culpa no cartório. Por exemplo, quando pesquisadores estudaram gêmeos idênticos (que têm exatamente a mesma composição genética) e não idênticos (que são tão parecidos entre si como quaisquer irmãos) descobriram que os gêmeos idênticos têm peso mais parecido entre si do que os não ...

Células-tronco, câncer e seu ponto morto

Hoje falando de novo sobre células-tronco, que estão mais na moda que ex-BBB. Quando um espermatozoide fecunda um óvulo, temos a formação da primeira célula do novo ser vivo, o zigoto. Esse zigoto vai dar origem a todas as outras células do embrião, do feto, da criança, do adulto e do idoso. Podemos então dividir as células, de modo grosseiro, em dois tipos: as células indiferenciadas e as diferenciadas. As células indiferenciadas podem se diferenciar em algum tipo de célula ou continuar se dividindo em novas células indiferenciadas. Essas são as células-tronco e o zigoto é a célula-tronco primordial. Já as células diferenciadas são as que já têm uma função final no organismo, com as suas características particulares, como um neurônio no cérebro. Normalmente, as células diferenciadas têm uma taxa de divisão celular (ou seja, a formação de uma nova célula a partir da primeira) muito baixa e também não conseguem voltar seus estágios de diferenciação (embora isso possa acontecer em r...