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Mostrando postagens com o rótulo Biologia celular

Por que o vírus não mata o mosquito?

Os mosquitos transmitem diversos vírus para os humanos, esses vírus geram sintomas como cansaço, dores, entre outros que te deixa de cama e levar até morte. Quando um mosquito pica uma pessoa doente, ele se infecta com o vírus e depois de algum tempo, pode transmitir para outras pessoas. Mas já que o mosquito se infecta com vírus, porque não fica doente como nós? A resposta para essa questão pode estar contida no modo como o organismo do mosquito combate o vírus. Diferente de nós, o sistema imune dos mosquitos não é tão especializado e suas células de defesa não produzem citocinas (mediadores químicos) para combater o vírus. Em nós humanos, as células do sistema imune produzem diversas citocinas, que ao mesmo tempo que combatem o vírus também provocam alguns dos sinais e sintomas que apresentamos. Apesar de não terem esses mediadores químicos, os vírus não se replicam sem controle nos mosquitos. Os mecanismos antivirais dos mosquitos são compostos basicamente pela imunidade celular,...

O gene da bebedeira

O alcoolismo e o abuso de outros tipos de droga é um problema social e econômico em muitas partes do mundo. A solução desses problemas deve passar por uma abordagem psicológica, mas a criação de remédios para combater o uso excessivo de álcool também é possível. Mas, para isso, é necessário entender muito bem com o álcool age no cérebro, e como o cérebro responde à droga. Um grupo de pesquisadores americanos investigou parte desse problema, desvendando o papel de uma proteína pode estar envolvida com o quanto você enche a cara numa happy-hour ou chopada da universidade. Esse gene da bebedeira é chamado de GIRK3. Esse gene é ativo em alguns neurônios no cérebro e tem papel em regular se esses neurônios devem ou não passar um sinal cerebral para o próximo neurônio no caminho. Para estudar as funções desse gene, os cientistas criaram um camundongo transgênico que não tem esse gene no seu genoma (o que chamamos de camundongos nocautes) e estudaram como esses animais lidavam com o álcool...

Uma relação entre comida gordurosa e câncer

Se você, assim como eu, está acima do peso, precisa se preocupar com a sua saúde. (Como eu sei se estou acima do peso? É simples: você vai precisar de uma balança e uma fita métrica. Se pese e meça a sua altura. Multiplique a sua altura em metros por ela mesmo. Agora divida o seu peso em quilos pelo valor da altura x altura. Pronto, esse é o seu índice de massa corporal ou IMC. Se ele está acima de 25 kg/m 2 , você está sobrepesado (gordinho, digamos). Se ele está acima de 30 kg/m 2 , você está obeso!) Pessoas sobrepesadas e obesas têm um risco maior de ter várias doenças, como diabetes, pressão alta, doenças do coração e até câncer. Vários estudos já mostraram relação entre a obesidade e câncer de intestino, tanto em ratos quanto pessoas. Porém, como a obesidade causava o câncer ainda era desconhecido. Para explorar essa relação, pesquisadores americanos estudaram o intestino de camundongos obesos. Os resultados foram publicados esse ano na revista Nature . Para engordar o...

A nossa corrida armamentista contra os microrganismos

“Agora, aqui, é preciso toda velocidade que você possa correr para ficar no mesmo lugar” (Alice através do espelho) Aproveitando que o filme de Tim Burton ainda deve estar em cartaz, selecionei para essa semana um artigo que fala de um conceito bastante discutido em biologia, mas pouco conhecido do público em geral (pelo menos das pessoas com quem já conversei sobre isso). A passagem que abre esse post, retirada do livro de Lewis Carroll, é a base da “Hipótese da Rainha Vermelha” (Red Queen Hypothesis), inicialmente usada em ecologia, mas com aplicações em diversas outras áreas 1 . Em uma de suas aplicações, essa ideia é usada para descrever as relações entre presas e predadores. Segundo essa linha, predadores desenvolvem estratégias para seu sucesso na captura da presa, enquanto a presa, por sua vez, desenvolve meios de fugir da investida do predador. Essa adaptação da presa, então, exige que o predador desenvolva novos meios, mais sofisticados, de caça, o que força, mais um...

Malhar para não esquecer

Todos nós sabemos, intuitivamente, que a prática regular de exercícios físicos tem efeitos benéficos para o nosso organismo. A prática de exercício parece prevenir uma série de doenças crônicas e degenerativas, como artrite, câncer e diabetes 1 . Mas você já se perguntou como isso acontece? Quando pensamos nos nossos músculos em exercício, imaginamos apenas um tecido meio elástico e vermelho, que serve para fazer a movimentação dos ossos e articulações e, consequentemente, a movimentação do nosso corpo. Porém, o músculo não parece ser tão simples assim (como tudo em sistemas biológicos, raramente a coisa é simples). Estudos recentes mostram que o músculo em contração funciona não só mecanicamente, mas também é estimulado, pelo movimento, a produzir e liberar hormônios para a circulação 2 . Ou seja, mais que um mero motor, nosso músculo parece funcionar como uma fonte de hormônios que podem agir em outros órgãos do nosso corpo. E, pelo que parece, esses hormônios, chamados de mioc...

Células da gordura sob a pele combatem infecções

Nosso corpo é povoado por bactérias; não só no intestino, onde compõem a microbiota intestinal, mas também sobre toda a pele. Na pele, bactérias que atendem pelo nome científico de Staphylococcus aureus estão normalmente presentes em grande número. Mas podem não ser inofensivas; elas podem causar desde infecções simples, como espinhas, até infecções graves e generalizadas, podendo levar a morte em pessoas mais debilitadas ou com problemas no sistema de defesa do corpo. A S. aureus é um problema de saúde pública, porque comumente causa infecções em pessoas hospitalizadas (elas entram no corpo pelos furos na pele feito pelos cateteres usados para medicações aplicadas na veia, por exemplo) e já existem vários tipos dessas bactérias resistentes a muitos antibióticos (as chamadas superbactérias). E foi estudando o processo de infecção da S. aureus que pesquisadores americanos descobriram uma nova função para o tecido adiposo subcutâneo, ou seja, as célu...

Poderemos testar remédios em um novo monstro do Dr. Frankenstein?

“Frankenstein ou o Moderno Prometeu” é um romance de terror gótico escrito por Mary Shelley e lançado em 1818. O livro conta a história do estudante de história natural Victor Frankenstein, que dá vida a uma criatura “humana” feita com partes de diversos cadáveres. Embora chamado de monstro, a criação de Frankenstein é bondosa e articulada. Quase 200 anos depois, novos e verdadeiros doutores Franskensteins podem estar criando “monstros” para nos ajudar a testar novos remédios. Desenvolver novos remédios é caro, principalmente pela alta taxa de falha no processo, ou seja, vários candidatos acabam não funcionando no fim e o dinheiro gasto vai pelo ralo. Parte do problema está na nossa falta de capacidade de fazer bons testes com esses candidatos em um momento inicial, para descobrir cedo se o novo composto é bom ou não, antes de perder tempo e dinheiro. Um remédio é testado primeiro em cultura de células, depois em animais, depois diversas vezes em dife...

Células do câncer “roubam” componentes de células saudáveis para continuar crescendo

O metabolismo de células cancerosas é diferente do de células normais em muitos aspectos. E essas diferenças são estudadas, pois podem ser alvos interessantes para controlar a doença, já que seria possível desenvolver um remédio que atacasse apenas o câncer. O metabolismo energético, ou seja, o modo como as células conseguem a energia para se manterem vivas, é um dos pontos onde câncer e células normais são bem diferentes. O metabolismo acelerado do câncer costuma causar diversos danos às mitocôndrias, estruturas celulares responsáveis por transformar a energia química das moléculas para uma forma que elas possam utilizar. (Nota: Atenção! As mitocôndrias não geram energia! Nada nesse planeta gera energia; as formas de energia são apenas transformadas. A única coisa próxima de nós que gera energia é o Sol, através de fusão nuclear.) Porém, como os danos às mitocôndrias afetam o câncer não tinha sido estudado de forma clara. Visando entender esse ponto,...

Identificado receptor do tato!

Isso mesmo que você ouviu (leu)! Nós ainda não sabíamos a fundo como o sentido do tato funcionava. Dos nossos cinco sentidos, o tato parece ser o mais simples, mas, de fato, não se sabia como ele age. Bem, sabíamos que células nervosas levam as informações de contato da pele até o cérebro, que interpreta isso como a sensação de tato. Mas como? Como a célula sente esse sinal de contato? Sabemos como a luz ativa células na retina, como compostos nos alimentos ativam receptores na língua, odores ativam receptores no nariz e como as ondas sonoras que vibram no tímpano viram o que você ouve. Mas o tato era um mistério. Então, cientistas americanos, alemães e britânicos investigaram essa questão. Utilizando camundongos como modelo, os pesquisadores identificaram uma proteína, chamada Piezo2, que está presente nas células nervosas que transmitem os sinais de contato da pele. Essa proteína é um canal iônico, ou seja, controla a entrada e saída de sais da célula. E muitos canais iônicos ...

Água oxigenada e plantas transgênicas

Há pouco tempo atrás, se acreditava que o genoma dos seres vivos se dividia entre genes, pedaços de DNA que produzem proteínas, e o resto, basicamente inútil. Ledo engano! Nos últimos anos, descobrimos que muitas partes do genoma que não codificam proteínas têm como função regular a atividade dos genes, ligando ou desligando, diretamente ou gerando moléculas de RNA para isso. Esse conjuntos de RNA são chamados de RNA de interferência, ou RNAi para os íntimos. E hoje, o RNAi é uma ferramenta importante para diversas parte das ciências biológicas, seja na realização de experimentos, ou para novas tecnologias para tratamento de doenças humanas ou desenvolvimento de plantas modificadas geneticamente. Mas o maior problema é que ainda sabemos pouco como os RNAi funcionam ou chegam até as células. Um grupo de cientistas australianos investigou parte da questão em uma planta modelo de estudo, chamada Arabidopsis thaliana . Já se sabia que os RNAi produzidos n...