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Mostrando postagens com o rótulo Metabolismo

[Blog da Juliana] O Freio e o Acelerador dos Nossos Músculos

Você já se perguntou por que o nosso músculo não cresce sem parar até parecer o Hulk ou algum herói desses que vemos na TV? O nosso corpo tem um sistema de controle muito inteligente, e duas proteínas principais o comandam: a miostatina e a folistatina. A Miostatina (O Freio) Imagine que a miostatina é o botão de freio dos músculos. Desde quando a gente está na barriga da mãe, ela fica ativa dizendo: "Ei, por hoje já deu de crescer músculo, né? O que ela realmente faz: ela atrapalha a criação de novas células do músculo e ainda ativa uma espécie de "lixeira" no corpo que quebra as proteínas do músculo, fazendo-o diminuir (atrofiar). É famosa por não ser muito querida no mundo do fitness….. A Folistatina (O Acelerador) A folistatina é o oposto: é uma proteína produzida principalmente pelo fígado que atua como um acelerador do ganho muscular. O que ela realmente faz: vai lá e "engana" a miostatina, desligando esse freio. Sem o freio da miostatina, os músculos co...

[Blogue do PJ] Fundamentos de Farmacologia (Parte 3): Farmacocinética e os parâmetros de ADME

Bem-vindos à terceira publicação do blog sobre fundamentos de farmacologia. O tema abordado dessa vez é a farmacocinética, assunto que está intimamente ligado às vias de administração de fármacos, que foi o tema do texto anterior. Farmacocinética é a área da farmacologia que estuda o movimento dos fármacos pelo organismo, levando em consideração o que o corpo pode fazer com eles. De maneira geral, os estudos farmacocinéticos são responsáveis por garantir a maior qualidade possível nos quatro processos principais que um fármaco sofre no corpo humano: absorção, distribuição, metabolização e excreção. Dentro da farmacocinética, quando esses quatro processos são analisados, recebem o nome de propriedades de ADME. A primeira propriedade de ADME é a absorção do fármaco, que consiste em fazê-lo chegar até o sangue, para que ele possa ser distribuído pelo corpo, ou pelo local de ação (caso seja um fármaco de uso local, como na pele). Os principais fatores que influenciam na absorção...

[Blogue do PJ] Proteínas na alimentação: a dieta hiperproteica

Provavelmente, durante a vida você já escutou muito sobre as proteínas, principalmente se o assunto em questão for alimentação. No entanto, mesmo que muito se fale sobre proteínas, ainda há diversos pontos mal explicados, ou pouco comentados, sobre as mesmas. A partir disso, esse texto buscará explicar, de forma breve, a importância das proteínas na alimentação, além de seus efeitos no organismo humano. Primeiramente, é preciso entender que as proteínas são moléculas compostas por cadeias de aminoácidos, ou cadeias polipeptídicas. Os aminoácidos são moléculas menores que as proteínas e que possuem duas funções orgânicas, a de amina e a de ácido carboxílico, por isso o nome de amino/ácido. As proteínas podem ser simples, se compostas apenas por aminoácidos, ou conjugadas, quando possuem outros tipos de moléculas ligados a suas cadeias polipeptídicas, como vitaminas, gorduras, açúcares e metais. Existem 20 tipos diferentes de aminoácidos. Entretanto, apenas 11 são sintetizados pel...

O Arauto da Torre #12: Um é pouco, dois é bom? (ou prestando contas ao CNPq - Universal 2014)

Em 2014, eu fui contemplado com recurso para um projeto do laboratório pelo Edital Universal 2014, do CNPq. O projeto tinha duração de 3 anos, e acabou de acabar. Parte da prestação de contas (que é mostrar onde você gastou o dinheiro e os resultados que conseguiu) ao CNPq é produzir um vídeo de divulgação científica. Então aqui eu vou explicar uma parte do que fazemos no laboratório (pela primeira vez): são os resultados iniciais da tese de doutorado da Fernanda Almeida-Oliveira, sobre como os insetos barbeiros regulam o seu metabolismo. Ficou curioso? Então, clica e assiste! Gostou? Curta e compartilhe o vídeo, e se inscreva no canal! Quer mais? Visite o blog (http://aportademarfim.blogspot.com.br/), curta a fanpage no Facebook (/aportademarfim) e siga a gente no Twitter (@aportademarfim)!

Cafezinho contra obesidade!

Você conhece alguém obeso? Provavelmente. Isso porque o número de pessoas obesas em todo o mundo tem aumentado de maneira alarmante. O grande problema da obesidade é que essa doença promove o surgimento de outras enfermidades graves, como diabetes, pressão alta e doenças do coração. Dessa forma, diversos cientistas têm buscado formas de tratar a obesidade. Um dos principais mecanismos para possíveis tratamentos é o apetite. Sabe-se que o controle da nossa fome é influenciado tanto pelo metabolismo energético do nosso corpo (quanto de energia precisamos), como também por fatores emocionais (depressão, ansiedade, entre outros). Nosso cérebro é capaz de regular nossa fome através da ativação de neurônios na região do hipotálamo, por meio de mecanismos não completamente entendidos ainda. Desta forma, estudar como esse processo funciona pode dar dicas de como alterarmos nossa fome e saciedade em uma possível terapia. Um grupo de cientistas chineses conseguiu demonstrar que um velho...

Comportamento de compensação (ou como seu exercício sabota a sua dieta)

Há algumas postagens, estamos discutindo os efeitos das dietas e do exercício sobre a perda de peso para o emagrecimento (você pode acessar as postagens antigas clicando aqui , aqui , aqui e aqui ). Se você está acompanhando a série, deve se lembrar que já falamos de dados que mostram que a dieta (ou seja, fechar a boca) é muito mais eficiente para emagrecer que o exercício. A verdade é que a resposta que as pessoas têm ao exercício é muito variável: enquanto algumas pessoas perdem o peso esperado para a quantidade de atividade feita, a grande maioria perde menos peso do que os cálculos previam (e algumas chegam a engordar). Isso leva a dois problemas para o tratamento da obesidade. Primeiro, a nível pessoal, quando as pessoas se decepcionam com os poucos resultados e abandonam a academia, o que é péssimo para a saúde, visto que o exercício físico ajuda no tratamento de doenças, como diabetes, mesmo quando não há emagrecimento. E segundo, porque sem entender como al...

Gastamos a maior parte da nossa energia só para ficarmos vivos

Se você pegar qualquer embalagem de alimento na sua dispensa, vai encontrar uma tabela de valores nutricionais impressa. Indicada com um asterisco, aparece a seguinte frase: “% valores diários de referência com base em uma dieta de 2.000 (ou 2.500) kcal”. Mas de onde surgiu esse valor? O quanto uma pessoa gasta de energia (e assim o quanto de energia precisa ser reposta pela comida) já foi medido em diversos estudos, até se obter um valor médio e geral. Isso pode ser feito de algumas formas. A primeira, mais antiga, era feita através da medida de quanto oxigênio uma pessoa usa. Mas essa forma era um pouco restrita porque a pessoa estudada precisava ficar ligada aos aparelhos de medida no laboratório, o que tornava a medida bem diferente da realidade do mundo lá fora. Mas medida de consumo de oxigênio ainda é bem útil para se medir o gasto de energia no metabolismo basal (ou seja, a energia que gastamos sem fazer nada, apenas vivendo): a pessoa faz um jejum de 12 horas (igual para...

Nós não evoluímos para emagrecer

O quanto menos você precisa comer ou o quanto mais você precisar gastar de energia para emagrecer? Na década de 1950, o médico americano Max Wishnofsky usou as informações fisiológicas e bioquímicas disponíveis na época para tentar calcular isso. Com base no quanto de gordura temos guardado no tecido adiposo (que é o local do corpo onde armazenamos as gorduras) e no quanto de energia as gorduras tem, Wishnofsky chegou à fórmula de que para perder um quilo de gordura você precisar comer menos (ou gastar mais) 7.700 kcal. Assim, se você ficar um dia em jejum, você emagreceria mais ou menos 300 gramas (considerando que você coma normalmente o recomendado de 2.500 kcal). Ou se você substituir sua lata de refrigerante do almoço por água, você vai consumir 50 mil calorias a menos em um ano, e vai ficar 6,5 kg mais magro para o verão. Simples, não é? Pena que não é verdade. A Regra de Wishnofsky considera o nosso organismo como algo estático, onde as calorias são gastas sempre na mesma vel...

Não somos gordos por não fazer exercícios

Como já escrevi aqui antes, a obesidade é a epidemia de século XXI. Um décimo da população do mundo está obeso e a obesidade aumenta os riscos de diabetes, infartos e até determinados tipos de câncer. Mas por que a obesidade não para de aumentar? O seu peso se equilibra como uma balança e depende do quanto você gasta de energia e do quanto você gasta. Se você comer demais ou gastar energia de menos, engorda. O contrário é verdadeiro; se você come pouco ou gasta muita energia, emagrece. Assim, dois fenômenos, em conjunto, podem explicar o aumento da obesidade. Primeiro, o consumo de alimentos com muita gordura e açúcar, principalmente os industrializados. Esses tipos de alimentos aumentaram o quanto as pessoas comem de energia e logo elas devem engordar. Segundo, a vida moderna reduz o quanto somos ativos durante nossos dias. Veículos motorizados fizeram com que as pessoas andassem menos (tem gente nem corre atrás do ônibus; espera o próximo), máquinas reduziram a força que é necess...

Terapia gênica contra a obesidade

A obesidade é hoje uma epidemia mundial. Há 10 anos, 10 % dos adultos do mundo eram obesos. Uma estimativa indica que o 95 % dos brasileiros estarão obesos ou sobrepesados (vulgo, gordinhos) em 2050. Alarmante! Como a obesidade costuma vir acompanhada de outras doenças, como diabetes, pressão alta, e colesterol e triglicerídeos altos, ela mata mais de três milhões de pessoas por ano. O SUS deveria gastar 330 bilhões de dólares (sim, BILHÕES!) só para tratar essas doenças nos próximos 40 anos. É muito dinheiro! Por isso, muitos cientistas estão buscando novas formas de tratar a obesidade. Mas para isso, é preciso entender como a obesidade termina por causar outras doenças. Por exemplo, já sabemos que existe uma relação entre a obesidade e o sistema de defesa (imune) do corpo. Na obesidade, o tecido adiposo (que é responsável por acumular as gorduras no corpo; vulgo, as gordurinhas) chega ao seu limite de acúmulo de gorduras e fica doente; como resultado o corpo responde, aumentando a...

C8H10N4O2 #4 - Professor Heitor A. de Paula Neto

Uma entrevista com Dr. Heitor A. de Paula Neto, professor da Faculdade de Farmácia da UFRJ. Conversamos sobre o curso de Veterinária, sobre suas pesquisas em torno do metabolismo e do sistema de defesa do corpo e sobre os futuros pesquisadores.