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Mostrando postagens de outubro, 2026

Apostas para o Nobel 2026 – A Ciência que Move o Mundo

  Todo ano, no início de outubro, o mundo para para acompanhar o anúncio dos vencedores do Prêmio Nobel. Criado pelo testamento de Alfred Nobel, o inventor da dinamite, o prêmio existe desde 1901 e se tornou a mais prestigiosa honraria científica do planeta. Nobel determinou que sua fortuna fosse destinada a "aqueles que, durante o ano anterior, conferiram o maior benefício à humanidade" – e é exatamente isso que torna essa premiação tão especial: ela não celebra apenas descobertas brilhantes, mas aquelas que transformam a vida das pessoas. O Prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina, em particular, tem um papel único. Diferente das ciências exatas, a medicina lida diretamente com a saúde humana, e suas conquistas costumam chegar ao público de forma mais palpável: vacinas, antibióticos, tratamentos para câncer, terapias genéticas. Este ano, a premiação será anunciada entre os dias 5 e 12 de outubro, e a expectativa é grande. Como parte da avaliação da disciplina " Prêmios N...

[Chute do Nobel T4E6] Análogos de GLP-1: Muito mais que um tratamento para diabetes, um provável candidato ao Nobel

  Você sabia que o Prêmio Nobel recebe esse nome porque a premiação foi idealizada pelo inventor Alfred Nobel, que após o seu falecimento em 1985, declarou em testamento que quase toda sua fortuna deveria ser destinada para recompensar grandes benefícios à humanidade? As premiações passaram a ser concedidas a partir de 1901, atualmente contemplando seis categorias: Paz, Literatura, Economia, Física, Química, Fisiologia ou Medicina. Em 2026, a premiação ocorrerá entre os dias 5 e 12 de outubro, gerando especulações sobre vencedores. Em relação ao Prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina, uma descoberta que pode ser consagrada no ano atual é a das “substâncias análogas ao hormônio GLP-1”, mas do que se trata essa descoberta? O GLP-1 (Peptídeo Semelhante ao Glucagon-1) é um hormônio produzido principalmente no intestino que pode se ligar em receptores presentes em várias regiões do corpo, como pâncreas, trato gastrointestinal e cérebro. Apesar da estrutura similar ao glucagon, suas funç...

[Chute do Nobel T4E5] Uma nova esperança contra um dos cânceres mais difíceis de tratar

Durante décadas, uma pequena proteína representou um dos maiores desafios da pesquisa contra o câncer, a família RAS, da qual fazem parte KRAS, NRAS e HRAS. Mutações oncogênicas em RAS estão presentes em mais de 90% dos casos de adenocarcinoma ductal pancreático, sendo as alterações em KRAS as mais frequentes. Essas mutações favorecem a ativação contínua de sinais que estimulam o crescimento e a sobrevivência das células tumorais (JIANG et al., 2024; O’REILLY et al., 2026). Dessa forma, o questionamento era relativamente simples: se essa proteína é tão importante para o tumor, por que não criar um medicamento capaz de bloqueá-la? Na prática, essa pergunta levou décadas para ser respondida. Por muito tempo, RAS foi considerada praticamente impossível de atingir com medicamentos. Sua estrutura dificultava a ligação das moléculas utilizadas como fármacos, fazendo com que cientistas chegassem a classificá-la como um alvo impossível de ser tratado com medicamentos (JIANG et al., ...

[Chute do Nobel T4E4] CAR-T Cells: O uso de um medicamento vivo para o ataque às células tumorais

  Imagine retirar algumas células de defesa do organismo, ensiná-las a reconhecer o câncer e depois devolvê-las ao paciente para que elas próprias combatam a doença. Essa é a ideia por trás das células CAR-T, uma tecnologia reconhecida como um “medicamento vivo”. A terapia utiliza um tipo de célula de defesa do corpo, as células T, modificando-as em laboratório e devolvendo ao corpo do paciente para que consigam reconhecer e atacar as células tumorais de maneira efetiva. Os resultados mais impactantes até o momento foram observados principalmente tipos de cânceres hematológicos, especialmente em pacientes que já não respondiam aos tratamentos convencionais. Por isso, a tecnologia CAR-T representa uma estratégia importante: frequentemente as células de defesa do organismo passam a favorecer a progressão do câncer, dificultando a resolução da doença. Apesar de parecer uma tecnologia recente, sua história começou há algumas décadas. Em 1987, o pesquisador japonês Yoshikazu Kuwana e su...

[Chute do Nobel T4E3] E se a gente pudesse apagar uma letra do DNA e escrever outra? Meu chute para o Nobel de Química: David Liu.

  Podemos imaginar o DNA do nosso corpo como um enorme livro de receitas. Em vez de palavras, ele é escrito a partir de apenas quatro letras: A, T, C e G. Cada gene corresponde a uma receita que contém as instruções necessárias para que nossas células produzam uma determinada proteína. Uma pequena alteração nessa sequência, como a troca de uma única letra, pode modificar essas instruções e comprometer o funcionamento da proteína, dando origem a uma doença genética. Durante décadas, a ciência avançou na capacidade de ler e compreender esse livro. Hoje, novas tecnologias começam a nos permitir ir além: não apenas ler o DNA, mas também corrigir, de maneira cada vez mais precisa, determinadas alterações presentes nele.  O CRISPR, que rendeu o Nobel de Química de 2020, é uma das tecnologias utilizadas para realizar alterações no DNA e funciona como uma tesoura molecular que corta o DNA em um ponto escolhido. Mas cortar tem um preço: a célula precisa reparar esse corte, e esse proce...

[Chute do Nobel T4E2] GLP-1: da descoberta científica à revolução no tratamento das doenças metabólicas

As grandes descobertas científicas geralmente começam com uma pergunta simples e, ao longo dos anos, podem chegar até a prática clínica e mudar a vida de milhões de pessoas. É nesse contexto que aparecem os pesquisadores responsáveis pelos estudos que levaram ao desenvolvimento dos análogos do GLP-1, como a semaglutida e a liraglutida. Esses medicamentos deixaram de ser utilizados apenas no tratamento do diabetes e passaram a ocupar um espaço importante no tratamento da obesidade e de outras doenças metabólicas. O impacto dessas descobertas foi tão grande que o GLP-1 passou a ser considerado uma das áreas mais importantes da pesquisa atual em metabolismo e endocrinologia. O GLP-1, ou peptídeo semelhante ao glucagon-1, é um hormônio produzido naturalmente pelo intestino depois das refeições. Entre suas principais funções estão estimular a liberação de insulina pelo pâncreas, diminuir a produção de glucagon, retardar o esvaziamento do estômago e atuar no cérebro aumentando a sensação de ...

[Chute do Nobel T4E1] GLP-1 é Tech, Caneta é Pop, Cientista é Top!

  Estamos às vésperas da divulgação do Prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina 2026, que apesar de ser uma das premiações científicas mais conhecidas do mundo, nem sempre contempla temas que geram impacto direto ou compreensão de sua relevância pelo público não acadêmico. Este ano, no entanto, ganhou destaque uma descoberta que se tornou muito popular mundialmente: os medicamentos baseados em GLP-1, ou peptídeo semelhante ao glucagon tipo 1 ( Glucagon-Like Peptide-1 ). Desde a década de 1980, Joel Habener, Svetlana Mojsov e, posteriormente, Lotte Bjerre Knudsen tiveram contribuições fundamentais para a pesquisa sobre o GLP-1. Habener e sua equipe utilizaram técnicas de DNA recombinante e sequenciamento para identificar a sequência do proglucagon e dos peptídeos relacionados ao GLP-1. Mojsov contribuiu para identificar e caracterizar a forma biologicamente ativa do hormônio e demonstrar sua capacidade de estimular a secreção de insulina. Anos mais tarde, Knudsen teve papel central no...