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Mostrando postagens com o rótulo Métodos Alternativos

Poderemos testar remédios em um novo monstro do Dr. Frankenstein?

“Frankenstein ou o Moderno Prometeu” é um romance de terror gótico escrito por Mary Shelley e lançado em 1818. O livro conta a história do estudante de história natural Victor Frankenstein, que dá vida a uma criatura “humana” feita com partes de diversos cadáveres. Embora chamado de monstro, a criação de Frankenstein é bondosa e articulada. Quase 200 anos depois, novos e verdadeiros doutores Franskensteins podem estar criando “monstros” para nos ajudar a testar novos remédios. Desenvolver novos remédios é caro, principalmente pela alta taxa de falha no processo, ou seja, vários candidatos acabam não funcionando no fim e o dinheiro gasto vai pelo ralo. Parte do problema está na nossa falta de capacidade de fazer bons testes com esses candidatos em um momento inicial, para descobrir cedo se o novo composto é bom ou não, antes de perder tempo e dinheiro. Um remédio é testado primeiro em cultura de células, depois em animais, depois diversas vezes em dife...

Dor em células de cultura

Para se testar novos analgésicos, aqueles remédios que você toma quanto tem uma dor de cabeça ou quando toma um tostão no futebol de terça à noite, ainda é necessário causar algum tipo de dor, infelizmente. Embora todos os cuidados com o bem-estar dos animais de laboratório sejam levados em conta, ainda assim as cobaias vão passar por um grau de desconforto e dor. Seria excelente se pudéssemos abrir mão dos animais, tendo outra forma de avaliar novos analgésicos. Um trabalho publicado por pesquisadores americanos, com a participação de uma cientista da Universidade Federal do Rio de Janeiro, deu alguns passos na direção desse objetivo. Os pesquisadores, utilizando técnicas de biologia molecular e engenharia genética, conseguiram transformar um tipo de célula (chamada fibroblasto) embrionária de camundongos em neurônios que respondem a dor. Tudo isso em cultura de célula! O procedimento é relativamente simples e consiste em mudar a atividade de cinco g...

Cultura de célula pode ser novo modelo para Alzheimer

A Doença de Alzheimer é a forma de demência mais comum, e está relacionada ao envelhecimento (60 % das pessoas com mais de 90 anos apresentam algum grau da doença). Os pacientes começam apresentando perda de memória recente (não conseguem se lembrar de coisas que aconteceram pela manhã ou no dia anterior), mas a doença pode evoluir para confusão mental, perda de memórias antigas e alterações de humor, entre outras coisas. A estimativa é que mais de 26 milhões de pessoas sofram com Alzheimer no mundo. E com o progressivo envelhecimento da população, é de se esperar que esse número aumente ainda mais. A causa da doença ainda é envolta em dúvidas e grupos de cientistas de todo o mundo pesquisam para buscar respostas e novos tratamentos, e quem sabe, a cura. Sabe-se hoje que uma proteína (chamada beta-amiloide) produzida pelos neurônios acaba se acumulando o cérebro e que isso pode acabar causando a morte dos neurônios e os progressivos problemas mentais. Porém, os modelos experim...

Mais um pouco sobre cosméticos e animais

Cruzei de novo pela Internet com um abaixo-assinado virtual sobre o uso de animais em teste de cosméticos. Esse abaixo-assinado pressiona a Avon a acabar com os testes em animais. Em Abril do ano passado, eu já escrevi um longo texto sobre a importância do uso de animais de laboratório no desenvolvimento de novas formulações de cosméticos. Se você não leu, recomendo que dê uma lida antes de continuar aqui. Não vou reescrever todos os argumentos de novo aqui, mas vou tentar mostrar que esse caso explica claramente que a indústria de cosméticos está mais preocupada com o seu dinheiro do que com os bichos. A Avon foi, segundo ela mesma, a primeira empresa a estabelecer uma política para abolir os testes com animais. Ué? Então para que o abaixo-assinado? Porque alguns países exigem que os cosméticos sejam testados em animais, independente se foram testados por métodos alternativos aprovados. Segundo a própria Avon, apenas 0,3 % dos seus produtos vendido pelo mundo são testados em...

Acabando com as bactérias super-resistentes

O surgimento e a proliferação das superbactérias é um grande problema para a saúde pública. O aparecimento dessas bactérias que sobrevivem a diferentes antibióticos acontece devido ao uso errado ou indiscriminado dos próprios antibióticos. Como funciona? Digamos que você esteja com uma dor de garganta e o médico te receita um antibiótico para ser tomado por sete dias. Mas depois de quatro dias, você já não tem mais os sintomas da infecção e para de tomar o remédio. Não ter mais dor de garganta não quer dizer que o antibiótico matou todas as bactérias; na verdade ele apenas reduziu bastante a população delas, mas deixou viva uma pequena parte, que era naturalmente um pouco mais resistente que o resto. Pode ser que essa pequena população de bactérias volte a crescer na sua garganta, causando um novo episódio de dor e um novo ciclo de tratamento com antibiótico. Se você não tomar o remédio do modo certo de novo, novamente uma parte mais resistente da população de bactérias vai sobr...

Cultura de célula 2.0 vai ajudar no estudo do cérebro

Fonte: www.cartacapital.com.br O cérebro é extremamente complexo. Células, com diferentes estruturas e funções, se comunicam para transmitir impulsos nervosos que controlam muitas atividades por todo o organismo. A própria estrutura tridimensional do órgão é importante para as suas funções. Assim, o melhor modelo para estudar o cérebro é o próprio cérebro. Mas como nós não podemos viver sem o nosso, dependemos de animais de laboratório para realizar experimentos de fisiologia cerebral. E, como as cobaias também não vivem sem cérebro, elas precisam ser eutanasiadas no fim dos experimentos, na grande maioria das vezes. Métodos alternativos para o estudo do cérebro ainda são falhos em reproduzir o que acontece dentro da caixa craneana. Por exemplo, uma cultura de neurônios em laboratório está muito longe de representar a complexidade do cérebro, embora funcione muito bem em estudos sobre a fisiologia dos neurônios em si. Para atacar esse problema, pesquisadores americ...

O que água e esgoto têm a ver com experimentação animal?

  Fonte: ramonlamar.blogspot.com Assisti a um vídeo no Youtube , enviado pelo Prof. Thales Trez, do Departamento de Ciências Humanas, da Universidade Federal de Alfenas, Minas Gerais. O vídeo começa com uma variação da pergunta que uso como título desse artigo. A minha resposta: - Nada, professor... O Dr. Trez discorre pelos 7 minutos do vídeo uma série de fatos e argumentos, concluindo que, embora camundongos e humanos sejam 90 % geneticamente idênticos, usar esses roedores como modelos para pesquisa humana é tão absurdo quanto beber água contaminada com 10 % de esgoto porque 90 % dela ainda são puro H2O. Muitos dos fatos e argumentos são válidos. Mas, usando outra analogia, Trez é pessimista e vê o copo meio vazio. Eu prefiro ver os mesmos fatos enchendo metade do copo. A minha visão e resposta seguem abaixo. Trez diz que o melhor modelo para estudos de fisiologia humana são os próprios humanos. Ele não pode estar mais certo! Os nossos modelos animais atuais possuem divers...

Os animais e os cosméticos

Tão polêmicos quanto os mamilos ! Recebi essa semana um abaixo-assinado da organização de ativismo virtual Change.org (uma boa organização, a propósito, vale a pena dar uma conferida na página) organizado pela ONG sem fins lucrativos Cruelty Free International direcionado a Presidente Dilma e pedindo a proibição dos testes em animais para cosméticos. Eu comecei esse projeto de divulgação científica devido a esse tipo de coisa: ativismo radical, invasão do Instituto Royal, Beagles abandonados na rua, etc. Depois de 20 postagens acho que está na hora de riscar a superfície da questão. Em suma: em relação aos testes para cosméticos o que dá e o que não dá para fazer sem os animais? Vou tentar esmiuçar o texto do abaixo-assinado, e quem é e o que defende a Cruelty Free International. O abaixo-assinado começa dizendo que “...[n]o Brasil, ainda se permite que animais sejam usados em cruéis e desnecessários testes...”, o que é mentira. A Lei Federal Nº 11.794 , de oito de Outubro de 2008,...

Banho de água fria nas células-tronco

Haruko Obokata (Fonte: ajw.asahi.com) O mundo científico pode ser muito competitivo. Dependo da área de estudo e do volume de dinheiro envolvido, você pode esquecer a ideia de colaboração entre grupos de pesquisa “rivais”. Quando uma pesquisa pode levar a criação de um novo medicamento, uma nova técnica de diagnóstico para doenças ou patentes importantes, é cada um por si. Por exemplo, eu incluiria câncer, AIDS, terapia gênica (que consiste em adicionar genes novos a uma célula para tentar curar uma doença) e células-tronco no grupo de áreas competitivas. E todos os cientistas são humanos, e não santos; e, como humanos, alguns não têm escrúpulos. É cada vez maior o número de fraudes descobertas em diferentes pesquisas científicas, que incluem falsificação e duplicação de resultados, além de plágio. E, é claro, quando mais competitiva e quando mais dinheiro presente, mais as pessoas são tentadas a tentar enganar (a Torre de Marfim não é muito diferente do Resto do Mundo). Esse tipo...

Reanimando células congeladas contra o Mal de Alzheimer

O mundo científico vem buscando diversas formas de progressivamente substituir os experimentos utilizando animais vivos por células cultivadas em laboratório, sem prejudicar os resultados e os avanços nas diferentes áreas. Por exemplo, transformar células cerebrais humanas em células tronco pluripotentes (ou seja, capaz de se tornarem diferentes tipos de células dependendo do estímulo dado) são modelos interessantes para o estudo de doenças neurodegenerativas, como Mal de Alzheimer. Mas o problema para isso é o seguinte: o diagnóstico preciso de Alzheimer só pode ser dado com a realização de uma autopsia, depois que o paciente falece. Como conseguir as células pluripotentes depois disso? Um passo importante para resolver o problema foi dado por cientistas americanos em um trabalho publicado esse ano na revista Acta Neuropathologica Communications . O que ele fizeram? Usando um método novo, eles conseguiram induzir a transformação para células pluripotentes em amostras de cére...