Pular para o conteúdo principal

[Blog da Juliana] Cannabis medicinal no tratamento da epilepsia: como ela pode transformar a vida de pacientes


A Cannabis medicinal refere-se ao uso de substâncias retiradas da planta, popularmente conhecida como maconha, de forma segura, controlada e apenas para tratar doenças. Esses medicamentos passam por controle de qualidade e só devem ser usados com receita médica e acompanhamento médico. A substância mais utilizada para tratar a epilepsia é o canabidiol (CBD). Diferente do que muita gente pensa, o CBD não causa "barato" nem deixa a pessoa chapada. Existe outra substância chamada THC, responsável pelos efeitos que alteram a mente. Nos tratamentos para epilepsia, ela geralmente está presente em quantidades muito pequenas ou nem faz parte da composição do medicamento. É importante lembrar que o uso medicinal é completamente diferente do uso recreativo da planta.

Como o canabidiol ajuda quem tem epilepsia? Nosso corpo possui um sistema natural que ajuda a controlar várias funções importantes, como o sono, a dor, o humor e a atividade do cérebro. O canabidiol atua nesse sistema e ajuda o cérebro a funcionar de forma mais equilibrada. Com isso, ele pode: diminuir a atividade exagerada das células do cérebro; ajudar a reduzir a quantidade de crises; proteger as células nervosas; diminuir os processos inflamatórios que podem contribuir para algumas doenças. Para muitos pacientes, isso significa menos convulsões e uma rotina muito mais tranquila.

O que dizem os estudos? Pesquisas realizadas em diversos países mostraram que o canabidiol pode reduzir significativamente a frequência das crises em pessoas que não melhoraram com os medicamentos tradicionais. Os maiores benefícios foram observados principalmente em crianças com formas graves de epilepsia, como a síndrome de Dravet, a síndrome de Lennox-Gastaut e o complexo de esclerose tuberosa. Além da redução das crises, muitas famílias também relatam que os pacientes passaram a dormir melhor, ficaram mais atentos, mais comunicativos e apresentaram melhora na qualidade de vida. Na maioria das vezes, o canabidiol é usado em conjunto com outros medicamentos, e não para substituí-los imediatamente.

Existem efeitos colaterais? Sim. Assim como qualquer medicamento, o canabidiol também pode causar efeitos indesejados. Os mais comuns são: sonolência; diminuição do apetite; diarreia; cansaço; alterações nos exames do fígado em alguns pacientes. Por isso, o tratamento deve sempre ser acompanhado por um médico, que ajustará a dose quando necessário e acompanhará a evolução do paciente.

A Cannabis medicinal é permitida no Brasil? Sim. Hoje, médicos podem prescrever medicamentos à base de Cannabis para pacientes que realmente precisam desse tratamento. Esses produtos podem ser comprados em algumas farmácias autorizadas ou importados conforme as regras da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Em alguns casos, o acesso também pode ocorrer por meio da Justiça ou de associações autorizadas. A cada ano, surgem novas pesquisas que mostram como a Cannabis medicinal pode ajudar pessoas com diferentes doenças.

Os cientistas continuam estudando seus benefícios e a forma mais segura de utilizá-la. Com isso, mais pacientes poderão ter acesso a tratamentos eficazes e baseados em evidências científicas.

Referências:

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Não, a fosfoamina não é (ainda) a cura do câncer

Em agosto desse ano, uma reportagem do portal G1 mostrou a luta de pacientes com câncer na justiça para receber cápsulas contendo o composto fosfoamina (na verdade, fosfoetanolamina) que supostamente curaria a doença. O “remédio” era produzido e distribuído pelo campus da Universidade de São Paulo na cidade de São Carlos, mas a distribuição foi suspensa por decisão da própria reitoria, já que o composto não é registrado na ANVISA (todo remédio comercializado no país deve ser registrado) e não teve eficiência comprovada. Porém, alguns dos pacientes tratados com a fosfoamina relatam que foram curados e trazem exames e outras coisas para provar. Segundo o professor aposentado Gilberto O. Chierice (que participou dos estudos com a substância), “A fosfoamina está aí, à disposição, para quem quiser curar câncer”. Mas, vamos devagar, professor Gilberto; se a fosfoamina realmente é a cura para o câncer, por que não foi pedido o registro na ANVISA? O Governo Federal poderia produzir gran...

Dr. José Roberto Kater e o ovo: vilões ou mocinhos?

Ontem, eu recebi pelo Facebook um vídeo de uma entrevista com o Dr. José Roberto Kater onde ele comenta sobre os benefícios do ovo na alimentação. Porém, algumas coisas me soaram um pouco, digamos, curiosas (na verdade, em pouco mais de três minutos de vídeo poucas coisas pareceram normais (o vídeo completo está disponível no fim do texto)). O Dr. Kater é, segundo a Internet, médico, obstetra, nutrólogo, antroposófico (a medicina antroposófica é um ramo alternativo com base em noções ocultas e espirituais), homeopata, acupunturista e com mais algumas outras especialidades. Porém, não é cientista, já que não tem currículo cadastrado na Plataforma Lattes (do Conselho Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento, CNPq) ou assina qualquer artigo científico indexado em banco de dados internacional. Para mim, o cara pode dizer que é o Papa, eu não vou acreditar nele de primeira. As informações científicas estão disponíveis e eu fui pesquisar para entender se o Dr. Kater é um visionário ou ch...

Não, suco de melão São Caetano não é a cura do câncer

Recebi pelo Facebook um link para uma postagem do blogue Cura pela Natureza . Lá é descrito o poder de uma planta medicinal capaz de curar o câncer, controlar o diabetes e, de quebra, fortalecer a imunidade do corpo. Sinistro, né? A planta em questão é chamada de melão São Caetano ou melão amargo. Conhecida cientificamente como Momordica charantia , essa planta faz parte da família Cucurbitaceae, junto com outras plantas famosas, como a abóbora, o pepino e a melancia. Ela cresce bem nas áreas tropicais e subtropicais da África, Ásia e Austrália, e foi trazida ao Brasil pelos escravos. O texto cita o Dr. Frank Shallenberger, dos Estados Unidos, que seria o descobridor dos efeitos medicinais da planta. Fui então atrás das pesquisas publicadas pelo Dr. Shallenberger para saber mais sobre os poderes do melão São Caetano. E descobri que ele nunca publicou nenhum trabalho científico sobre a planta (na verdade, ele nunca publicou qualquer coisa!). Como que a...