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Postagens

Apaguem as luzes, pois nosso corpo é mesmo um relógio

Sabe aquele hábito moderno de deitar à noite na cama e ligar o celular para ver o Facebook? Ou ligar a TV e ficar assistindo até dormir? Então... isso pode estar acabando com a sua saúde. O artigo dessa semana testou o efeito de manter animais de laboratório expostos o tempo todo a luz artificial 1 . A ideia foi tentar simular o que muitas pessoas passam durante muito tempo de suas vidas. Profissionais que trabalham à noite, como seguranças e profissionais de saúde plantonistas em hospitais ficam expostos constantemente a luz durante o período de escuro. E isso parece que faz um mal enorme. Os animais expostos a luz constante tiveram uma desregulação clara do seu ciclo circadiano ou, em outras palavras, do seu relógio biológico. Isso foi acompanhado de um maior ganho de peso, perda de força muscular, perda de massa óssea (um início de osteoporose), anemia e um aumento de marcadores inflamatórios no sangue. De fato, esse trabalho vem confirmar muitos outros estudos anteriores....

Melhorando a imunidade pela fé: os mecanismos celulares e moleculares do efeito placebo

Imaginem a seguinte cena: você está com uma forte dor de cabeça e alguém, de sua inteira confiança, lhe oferece um remédio dizendo que vai aliviar sua dor. Você toma o comprimido e, em questão de alguns minutos, a dor se foi. Bem... a dor se foi, mas a pergunta fica: quem disse que aquele comprimido realmente tinha um medicamento dentro? A dor passou porque o medicamento funciona ou porque você, confiando na pessoa que te deu o comprimido, criou expectativas psicológicas de que ia melhorar? Essa é a essência do “efeito placebo”. Todo estudo de novos medicamentos precisa ter um grupo para controlar o efeito placebo, ou seja, pacientes ou voluntários que receberão um comprimido que não contém o medicamento testado - mas que tem aspecto igualzinho a ele - de forma a controlar os efeitos psicológicos (não específicos) da administração do medicamento. Pois bem, na inclusão desse grupo placebo, muitas coisas que julgávamos eficazes no tratamento de condições clínicas se mostraram, na...

A nossa corrida armamentista contra os microrganismos

“Agora, aqui, é preciso toda velocidade que você possa correr para ficar no mesmo lugar” (Alice através do espelho) Aproveitando que o filme de Tim Burton ainda deve estar em cartaz, selecionei para essa semana um artigo que fala de um conceito bastante discutido em biologia, mas pouco conhecido do público em geral (pelo menos das pessoas com quem já conversei sobre isso). A passagem que abre esse post, retirada do livro de Lewis Carroll, é a base da “Hipótese da Rainha Vermelha” (Red Queen Hypothesis), inicialmente usada em ecologia, mas com aplicações em diversas outras áreas 1 . Em uma de suas aplicações, essa ideia é usada para descrever as relações entre presas e predadores. Segundo essa linha, predadores desenvolvem estratégias para seu sucesso na captura da presa, enquanto a presa, por sua vez, desenvolve meios de fugir da investida do predador. Essa adaptação da presa, então, exige que o predador desenvolva novos meios, mais sofisticados, de caça, o que força, mais um...

Malhar para não esquecer

Todos nós sabemos, intuitivamente, que a prática regular de exercícios físicos tem efeitos benéficos para o nosso organismo. A prática de exercício parece prevenir uma série de doenças crônicas e degenerativas, como artrite, câncer e diabetes 1 . Mas você já se perguntou como isso acontece? Quando pensamos nos nossos músculos em exercício, imaginamos apenas um tecido meio elástico e vermelho, que serve para fazer a movimentação dos ossos e articulações e, consequentemente, a movimentação do nosso corpo. Porém, o músculo não parece ser tão simples assim (como tudo em sistemas biológicos, raramente a coisa é simples). Estudos recentes mostram que o músculo em contração funciona não só mecanicamente, mas também é estimulado, pelo movimento, a produzir e liberar hormônios para a circulação 2 . Ou seja, mais que um mero motor, nosso músculo parece funcionar como uma fonte de hormônios que podem agir em outros órgãos do nosso corpo. E, pelo que parece, esses hormônios, chamados de mioc...

Os micróbios que nos deixam gordos e como eles fazem isso

Pode parecer novidade para a maioria das pessoas, mas faz algum tempo que se mostrou que as bactérias no nosso intestino, a chamada microbiota , contribui para o ganho de peso e a obesidade 1 . Na verdade, o que parece é que as bactérias que vivem no nosso intestino nos ajudaram ao longo da história a retirar o máximo de energia dos alimentos 2 . E isso foi bom por muito tempo, quando a oferta de comida não era tão grande e os seres humanos precisavam coletar e caçar para comer. Atualmente, a oferta de alimento é imensa, mas nosso corpo - e os microrganismos que nele habitam - ainda se comporta como se estivéssemos na idade da pedra. Com isso, muitos de nós engordamos e nossa microbiota tem uma parcela razoável de culpa. Estudos de pouco mais de dez anos atrás mostram que há uma diferença clara nos tipos de bactérias encontradas no intestino de pessoas magras e obesas 3 . Mais que isso, a transferência do conteúdo intestinal de uma pessoa magra para uma pessoa obesa, melhora o...

Doce para mosquito: tal pai, tal filho

Os insetos usam vários sentidos para andar pelo ambiente onde vivem: a visão, usando seus grandes e complexos olhos compostos, e o tato, sentindo vibrações através das patas, entre outros. Mas talvez o olfato seja o sentido mais importante para esses animais. Uma mariposa macho pode cheirar os feromônios liberados por uma fêmea da mesma espécie a quilômetros de distância. E os insetos que bebem sangue (chamados de hematófagos, incluindo mosquitos, barbeiros e as malditas mutucas que não me deixaram em paz no último final de semana na Chapada dos Veadeiros) acham você para fazer uma boquinha pelo cheiro que você exala. O cheiro que você tem pode mudar devido a muitas alterações no ambiente ou fisiológicas: depois de correr em volta do Maracanã seu cheiro muda (para pior, provavelmente), as bactérias que vivem na sua pele devem ser responsáveis por parte do seu cheiro (e as bactérias variam entre as pessoas), etc... O Rodrigo escreveu aqui sobre um tra...

Por fim, suco de melão São Caetano também não fortalece o sistema imune

Chegamos ao final da série sobre os “efeitos” do consumo do melão São Caetano sobre a saúde. Para ler as postagens anteriores sobre câncer e diabetes, clique aqui e aqui . Algumas páginas na Internet afirmam que o consumo do melão leva a um aumento da função do sistema imune, que é o conjunto de células e órgãos responsáveis por defender o corpo contra infecções e doenças. Isso pode parecer bom a princípio; quanto mais ativo meu sistema imune, menos doente eu vou ficar. Mas não é bem assim. O sistema imune precisa ser regulado e mantido em um estado ideal. Uma baixa no sistema imune aumenta a chance de infecções; mas uma superativação pode levar a doenças autoimunes, onde as células de defesa acabam atacando o próprio corpo. Mas quais são os reais efeitos do melão São Caetano sobre o sistema imune? O único trabalho que estudou os efeitos da planta sobre humanos foi publicado em 2003 (PONGNIKORN et al., 2003). Os cientistas não observa...